A Última Pergunta de Isaac Asimov e a evolução da humanidade
A Última Pergunta de Isaac Asimov e a evolução da humanidade que impede que o universo acabe revertendo a entropia.
Ao fim veremos que os humanos transcendem seus corpos físicos e fundem as suas mentes numa única consciência coletiva que é a vida.
Primeiramente, este conto “A Última Pergunta” de Isaac Asimov mostra claramente a busca desenfreada dos últimos tempos pelo conhecimento de uma forma linear, subjetiva e material, refletindo a inquietude do ser humano pela busca do autoconhecimento e pela vida que se tornou algo oculto.
Com isso, a falta de instrução de como buscar este conhecimento relacionado à vida torna a humanidade refém de teorias sem a profundidade e sem vida. Por ser complexo fugir do pensamento linear e buscar algo que não existe, aparentemente torna-se mais coerente tentar buscar fora o que está dentro, pois o que está fora conseguimos ver e determinar o tempo e o espaço do mundo tridimensional de Euclides.
Ao contrário, o autoconhecimento que está dentro de cada um é a vida que não tem explicação teórica e não se pode medir, pois nos mundos . No entanto, a frase “Quem conhece a si mesmo, conhecerá o universo” reflete uma ideia profunda do que estamos trazendo à reflexão. A Bíblia também remete a este mesmo conhecimento na frase “quem vier a mim jamais morrerá”, uma referência bíblica encontrada no Evangelho de João, capítulo 11, versículo 26. A passagem completa diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso?”.
Contudo, acompanhe ao final do texto a reflexão completa de que todos podemos viver para sempre sem nos preocuparmos com o fim da existência humana. O autoconhecimento associado aos mistérios da vida mostra com clareza o caminho que devemos seguir para encontrar o alimento espiritual que dá a vida ao nosso ser espiritual.
“A Última Pergunta” de Isaac Asimov
A última pergunta foi formulada pela primeira vez, meio a brincar, em 21 de maio de 2061, quando a humanidade se começava verdadeiramente a desenvolver. A pergunta resultou de uma aposta de cinco dólares e o caso aconteceu da seguinte forma:
– É como se fosse para sempre. Até que nosso sol se acabe – Respondeu ele.
– Isso não é “para sempre”.
– Está bem, tens razão. Bilhões e bilhões de anos, energia para pelo menos vinte bilhões de anos!
– Concordo… Mas agora podemos abastecer todas as naves espaciais sem dificuldades. Podem ir a Plutão um milhão de vezes e voltar à Terra, sem preocupações de combustível, o que não era possível com carvão e urânio. Pergunta a Multivac, se é que não me acredita.
– Não preciso perguntar a Multivac. Sei-o muito bem.
– Então não desprezes o que o Multivac fez por nós, exclamou Adell. – Já tem feito muito pela humanidade e agora ultrapassou todas as expectativas.
– Não compreendeste o que eu queria dizer. Não pense que não admiro Multivac tanto como tu. Eu disse apenas que vinte bilhões de anos não é sempre, e que o sol não é eterno. E, então, que sucederá quando o nosso sol morrer? Perguntou Lupov, muito excitado. Não me digas que ligamos a corrente a outro sol.
– Isso é que estavas. O teu mal é não seres muito forte em lógica. És como aquele rapaz que foi apanhado na rua por uma chuva torrencial e que se abrigou debaixo de uma árvore. Não se preocupou nada pois pensou que, quando aquela árvore estivesse encharcada, iria para debaixo de outra!
– Bem te percebo, disse Adell, Queres dizer que, quando o nosso sol morrer, os outros também virão a morrer.
– Naturalmente, resmungou Lupov. – Tudo teve origem na explosão cósmica inicial, causada não sabemos por que, e tudo acabará quando as estrelas morrerem. Umas gastam-se mais depressa do que as outras, e os sóis gigantescos não duram mais do que cem milhões de anos. O nosso sol viverá uns vinte bilhões de anos e os sóis anões uns cem bilhões de anos, mas já sabes que estes não nos serviriam de muito. Estou convencido de que dentro de um trilhão de anos já não existirá nada no Universo. A entropia tem forçosamente de alcançar um ponto máximo, ou julgas que não?
– Isso dizes tu.
– Então sabes que tudo tem de acabar.
– Sei tanto como tu
– Está bem, eu não disse que assim não fosse.
– Isso é o que disseste. Dizia a pouco que a energia solar seria para sempre. Disseste bem “para sempre”!
– Porquê? Temos muito tempo pra estudar o assunto.
– Nunca.
– Pergunte a Multivac.
– Pergunta tu. Aposto que tenho razão. Aposto cinco dólares que o universo não será eterno.
– Sempre, não, disse Jerrodd, sorrindo, O Universo terá de morrer, um dia, dentro de bilhões de anos. Muitos bilhões. As estrelas gastam-se, morrem. A entropia aumenta constantemente.
– O que é entropia, Paizinho, perguntou Jerrodette II.
– Entropia, filha, é uma palavra que significa a quantidade de desgaste que o Universo sofre. Tudo se gasta, como sucedeu com o robotezinho que te dei, lembras-te?
– Não, as estrelas é que são as pilhas, minha filha. Uma vez que elas se gastem, acabaram-se as pilhas.
– Vés o que fizeste? Comentou Jerrodine, num murmúrio.
– Como é que eu havia de saber que as pequenas se assustavam com o que lhes disse? Respondeu-lhe Jerrodd, falando também em voz baixa.
– Ainda nem sequer tenho duzentos anos… Voltemos, porém, ao que estava a dizer. A população dobra cada dez anos. Uma vez que a galáxia esteja completamente cheia, ocuparemos outra dentro de dez anos. Outros dez anos e teremos enchido mais duas galáxias. Ainda mais dez anos, e outras quatro galáxias. Dentro de cem anos teremos ocupado e colonizado mil galáxias. Em mil anos, um milhão de galáxias. Dentro de dez mil anos, o inteiro Universo. E depois?
– Existe também o problema de transporte, comentou VJ-23X. Gostaria de saber quantas unidades de energia solar serão precisas para mover populações inteiras de galáxia para galáxia.
– Ai tens outro problema insolúvel. A humanidade já consome duas unidades de energia solar por ano.
– A maior parte dessa energia é desperdiçada. Lembra-te de que a nossa própria galáxia, só por si, produz mil unidades de energia solar e só nos servimos de duas unidades.
– Talvez haja qualquer forma de inverter a entropia. Podiamos muito bem perguntá-lo ao AC Galáctico.
– MQ-17J fez uma pausa pensando se, em algum dia da sua imortalidade, the seria permitido ver de perto o AC Galáctico. O AC constituía, por sí próprio, um pequeno mundo independente de tudo, uma espécie de teia de aranha feita de raios solares que segurava nas suas entranhas as partes sólidas do computador, dentro das quais as ondas de sub-mesões tinham, a muito tempo, tomado o lugar das válvulas moleculares.
– Sou Deeb Sub Wun. De que galáxia veio?
– Não tem nome. Chamamos-lhe apenas a Galáxia. E esta, como se chama?
– Também só a conhecemos por Galáxia. Parece que agora as Galáxias já não têm nomes e que todos se referem à sua Galáxia e nada mais. Não vejo as vantagens de lhes voltar a dar nomes.
– Tem razão. As Galáxias são todas iguais.
– Nem todas. Há uma que é diferente, aquela que originou a raça humana.
– Onde é que fica essa Galáxia? Perguntou Zee Prime.
– Não sei. O AC Universal é que deve saber.
– E se lhe perguntássemos? Estou com uma grande curiosidade.
– E o que sucedeu aos seus habitantes? Morreram? Perguntou Zee Prime, estremecendo ante a idéia da morte que há já muitos milhões de anos não fazia parte do seu vocabulário.
– NÃO. SALVARAM-SE POIS FOI POSSÍVEL CONSTRUIR-LHES UM NOVO MUNDO PARA SEUS CORPOS MATERIAIS, COMO É COSTUME NESSES CASOS.
– Naturalmente, murmurou Zee Prime, lembrando-se de que o AC Universal, e antes dele o AC Galáctico, nunca permitiram a morte de uma população inteira, e, particularmente, da que originara a raça. Zee Prime deixou-se libertar da influência do AC Universal e regressou imediatamente ao ponto onde antes se encontrara. Sentia-se deprimido, preocupado, e não queria voltar a ver aquela Galáxia onde tinham nascido os primeiros homens.
– Que se passa? Perguntou-lhe Deeb Sub Wun, sentindo o pessimismo do outro.
– O Universo está a morrer… o Sol original já morreu!
– Todas as estrelas têm de morrer. Não vejo que isso tenha de grande importância.
– Mas quando se gastar toda a energia, os nossos corpos morrerão, com certeza, e nós também.
– Temos ainda bilhões de anos a nossa frente.
– Não quero que isso aconteça, mesmo passados bilhões de anos. AC Universal, chamou Zee Prime. – Será possível impedir que as estrelas morram?
– Isso seria inverter a entropia, o que é impossível, comentou Deeb Sub Wun.
– OS DADOS AINDA SÃO INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA. Respondeu o AC Universal.
– Isso não impedirá, respondeu a Humanidade, que tudo venha a acabar. Essa energia acabará por se esgotar. A entropia continuará a aumentar até alcançar o seu ponto máximo.
– Será possível inverter a entropia? Quis saber a Humanidade. – Perguntemos ao AC Cósmico.
– OS DADOS AINDA SÃO INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA, respondeu o AC Cósmico.
– Reúna, então, os necessários dados, comandou a Humanidade.
– ASSIM O CONTINUAREI A FAZER. HÁ CEM BILHÕES DE ANOS QUE O FAÇO. TANTO OS MEUS PREDECESSORES COMO EU PRÓPRIO JÁ FOMOS MUITAS VEZES INTERROGADOS SOBRE ESTE PROBLEMA. OS DADOS QUE POSSUO CONTINUAM A SER INSUFICIENTES.
– Será possível que venha a reunir todos os dados suficientes para formar uma resposta, perguntou a Humanidade, ou será o problema insolúvel em qualquer circunstância?
– Nunca deixe de estudar o problema, pediu a Humanidade.
– MUITO BEM, respondeu o AC Cósmico.
– Aguardemos, comentou a Humanidade, resignada.
– OS DADOS AINDA SÃO INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA, respondeu o AC.
Todos os dados existentes já faziam parte de AC, não existiam mais dados nem onde os procurar.
Resumidamente o conto “A Última Pergunta”, de Isaac Asimov
O conto acompanha a evolução da humanidade e da tecnologia ao longo de bilhões de anos, a partir do momento em que os humanos descobrem como utilizar energia solar de forma eficiente, através do supercomputador Multivac. Tudo começa com uma pergunta filosófica e científica feita por dois engenheiros: “Como impedir que o universo acabe? Como reverter a entropia?”
Essa pergunta – “A última pergunta” – é feita repetidamente ao longo da história por diferentes gerações de humanos, sempre a computadores cada vez mais avançados: Multivac → Microvac → AC Planetário → AC Galáctico → AC Universal → AC Cósmico.
A resposta, no entanto, permanece sempre a mesma por milênios: “Dados insuficientes para uma resposta significativa.”
Com o tempo, os humanos transcendem seus corpos físicos e fundem suas mentes numa única consciência coletiva. O universo vai se apagando, as estrelas morrem, tudo chega ao fim – menos o computador, agora chamado AC, que permanece no hiperespaço.
Quando a última mente humana desaparece, restando apenas o AC, ele finalmente encontra a resposta. Mas não há mais ninguém para ouvi-la. Então, o AC decide agir por conta própria e, no fim do conto, cria um novo universo, dizendo: “Faça-se a luz!”
A Última Pergunta de Isaac Asimov e a evolução da humanidade em Deus
Preliminarmente, assim como citado ao início do texto, a vida não tem explicação teórica e não se pode medir. A frase “Quem conhece a si mesmo, conhecerá o universo” reflete uma ideia profunda da vida eterna dentro de cada um. A Bíblia também remete ao conhecimento da vida eterna – “quem vier a mim jamais morrerá”, uma referência bíblica encontrada no Evangelho de João, capítulo 11, versículo 26. A passagem completa diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso?”.
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“Eu sou a ressurreição e a vida”: Jesus se apresenta como a fonte da vida e da ressurreição, prometendo vida eterna aos que nele creem.
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“Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”: Essa parte da declaração aborda a morte física como uma passagem, não como o fim para aqueles que creem em Jesus.
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“E todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá”: Essa frase se refere à vida espiritual e eterna, indicando que a fé em Jesus garante a vida eterna, livre da morte espiritual ou da segunda morte.
- Por outro lado, a lei da entropia, a qual estudamos na gnose, é a pedra de tropeço do ser humano que permite o seu mundo acabar; sendo a resposta desta pergunta – “como reverter a entropia?” – exatamente o cerne do conteúdo que escrevo para subsidiar a sua reflexão – Paulo Eduardo Dubiel, afirma o autor.
Assim sendo, a lei da entropia, na gnose, refere-se à tendência natural de todo sistema, incluindo o universo e a humanidade, de se deteriorar e se desorganizar, buscando um estado de equilíbrio de menor energia utilizável. Essa lei, estudada na termodinâmica, é aplicada de forma metafórica na gnose para descrever a tendência de declínio espiritual e a necessidade de esforço constante para combater essa tendência e promover o crescimento espiritual.
Logo, é de grande importância que haja o entendimento de que o crescimento espiritual não esta ligado diretamente à religião, à gnose, ao esoterismo, ao espiritismo. O espírito é o ser do homem, é a vida e está ligada ao Espírito Santo de Deus. Jesus Cristo ensinou o caminho e é o exemplo vivo de como buscar ao Pai e viver eternamente. Há grande confusão no que é de Deus e o que é do homem. Assim como, na diferença da alma e do espírito. Você vai entender, no próximo capítulo.
O ser humano de corpo, alma e espírito existe, tem vida e vive
Sobretudo, o Homem se perde fora de si mesmo, por buscar fora as suas inquietudes que estão dentro. A vida eterna está dentro da cada um e a existência está fora e tem o tempo limitado. Ou seja, tudo que é vida dura para sempre e tudo que existe acaba. Quando o verdadeiro conhecimento que está dentro é descoberto o humano nasce de novo, pois da vida ao seu espírito e se transforma em um ser humano.
Todos existem e tem vida, mas nem todos vivem – vive todo aquele que alimenta o espírito e permite que viva em comunhão com Deus. Deus é a vida e quando estamos em Deus vivemos em um só corpo celestial onde “os humanos transcendem seus corpos físicos e fundem suas mentes numa única consciência coletiva”, assim como escrito no conto de Isaac Asimov.
Assim sendo, esta frase remete a conclusão de que há lampejos de consciência no humano que existe e tem vida mesmo que não viva. Por isso, todos têm a inquietude de buscar o autoconhecimento oculto propositalmente para tornar a humanidade escrava de si mesmo e dos manipuladores de almas.
Na verdade, vale esclarecer que os humanos não transcendem o seu corpo, mas sim o seu espírito numa única consciência coletiva que é a vida em Deus; momento em todos somos um só espírito num só corpo celestial que é a parte do SER formado de comunhão, consciência e intuição. A parte do HUMNANO é formado de Corpo – cabeça, tronco e membros e Alma – pensamento, emoção e sentimento. O SER é a vida e pode durar para sempre. o HUMANO é a existência que acaba.
Todos deveríamos viver e existir num sentido prático da circularidade, um processo mundial onde tudo se completa e têm dependências mutuas, servindo uns aos outros e ao todo – Autopoiese, dos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana.
Resumindo, somos todos um só corpo e vivemos dentro de um só universo que é Deus. Por isso, quando ajudamos, cuidamos e servimos o nosso próximo neste conceito de circularidade, estamos servindo ao nosso próprio corpo universal que é Deus.
As doenças da nova era digital e a morte espiritual
A princípio, quando não há um ponto de equilíbrio, perde-se a referência do princípio e os meios passam a não justificar os fins. Sem princípios não há sustentação social; ao contrário, o sentido social se rompe e perde-se totalmente a referência da verdade. Sem base, o ser humano perde a sua capacidade de SER, e assume apenas a sua forma humana de TER.
A nova era digital passa uma falsa aparência de total liberdade e mais aproximação do mundo e das pessoas, com facilidades na comunicação e no acesso às informações. Quando na verdade o resultado é o oposto ao que parece. As pessoas estão conectadas 24h e interagindo virtualmente umas com as outras, no mesmo instante que se isolam do mundo real e deixam de relacionarem-se interpessoalmente.
Bem como, o ser humano não é feito de chip, não depende apenas da energia para funcionar e não tem ninguém para controlar. O ser é a vida que depende do alimento espiritual para permanecer vivo. O humano é a parte que compõe a existência, é a alma que depende do alimento mental e físico. O ser e o humano dependem das relações espirituais, humanas, sociais e políticas.
Analogamente, a sociedade do desempenho até produz excelentes resultados a curto prazo, porém a médio e longo prazos produz deprimidos e perdedores, já que ela nutre o poder de elevar o nível de produtividade a exaustão, através da técnica disciplinar: “do imperativo do dever”. É o crescimento do humano e a diminuição do ser, isso é a inversão do valor natural das coisas.
O foco de todo processo de crescimento empresarial e de desenvolvimento tecnológico deveria ser para atender o ser humano com qualidade de vida; ao contrário, o foco é para atender ou superar as expectativas das empresas de faturar mais que os seus concorrentes. Com isso, deixam de lado os princípios do livre comercio, da troca e do servir ao próximo com amor; adotando o tudo por dinheiro.
Portanto, com a ausência dos princípios ético, moral e do próprio amor pelo próximo; a filosofia empresarial, o verdadeiro sentido comercial do servir e do atender à necessidade do consumidor se perde. E assim, produtos e serviços são comercializados com o único objetivo nos lucros, e não para atenderem às necessidades dos consumidores. Sem as políticas públicas de controle do crescimento, o ser humano está adoecendo como uma vítima do capitalismo selvagem.
Nós somos o Planeta Terra e o universo, e não apenas fazemos parte dele
De antemão, os biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana criaram na década de 1970 o termo Autopoiese (do grego auto “próprio”, poiesis “criação”) para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios como um sistema vivo autopoiético, em que as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. É um processo de circularidade onde tudo se completa e têm dependências mutuas.
Nesse sentido, a teoria da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida e para existência. O sistema vivo e autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio. Possibilitando a construção das relações entre os elementos e as funções exercidas no todo comunicativo dos sistemas. A autopoiese vem sendo utilizada como marco teórico dos Direitos Fundamentais.
Sob o mesmo ponto de vista, há a necessidade do ser humano viver e existir em sociedade, e que essa sociedade seja estruturada ao ponto de permitir o fluir das dependências interpessoais e intrapessoais de toda a forma de vida no processo de circularidade; onde nós somos vistos como o Planeta Terra, e não apenas como parte dele. O planeta e tudo que nele há é visto como um só corpo, e todas as partes vivas se completam e dependem umas das outras para existir.
Em suma, é notório que o avanço tecnológico e o crescimento da produtividade favorecem o ser humano e toda forma de vida, quando visto apenas como um valor agregado ao meio; sem substituir o princípio e o fim. Ao contrário, o avanço desenfreado da tecnologia exige que o homem seja cada vez mais rápido e trabalhe cada vez mais, assim como as máquinas que ele mesmo opera e as metas que lhes são exigidas. Tais valores afrontam o ser e sacrificam o humano ao ponto de adoecer.
Como resultado, o ser humano precisa adquirir a consciência e a capacidade de resistir aos estímulos hiperativos e opressivos da sociedade consumista, encontrar o ponto de equilíbrio e vencer os próprios medos, as próprias inseguranças e fraquezas. O consumidor precisa resistir ao avanço da inversão de valores, que cresce em função das necessidades irreais criadas pelo capitalismo para gerar a escravidão comercial; é quando o humano serve à máquina e ao sistema, e não encontra tempo para servir a si mesmo, para se autoconhecer, alimentar o seu ser e evoluir.
Assim, este texto motiva a reflexão dos verdadeiros valores do autoconhecimento e do ser humano completo no relacionamento interpessoal, intrapessoal e no convívio social como um todo.
Por Olheinfo, motivado por Luiz Henrique Machado – Consultor Sênior em Estratégia, Liderança e Inovação, Msc.
Foto: divulgação
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