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Ansiedade e depressão entre os jovens brasileiros

Ansiedade e depressão entre os jovens brasileiros
  • Publishedjunho 10, 2026

Ansiedade e depressão entre os jovens brasileiros são os principais problemas encontrados atualmente na sociedade 

 

Mulheres apontam esses transtornos de saúde mental mais frequentemente que homens. Vício em celular e redes sociais também aparece como problema relevante.

 

A ansiedade e a depressão foram apontadas como os principais problemas que preocupam a juventude, conforme aponta a pesquisa “O que pensam os jovens brasileiros”, realizada pelo Centro de Estudos SoU_Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com 1.034 entrevistados de 18 a 27 anos. Esses transtornos foram mencionados por 38% dos jovens, ocupando a primeira posição no ranking de suas preocupações. Esse índice registra uma alta expressiva quando comparado com a pesquisa anterior, de 2021, em que ocupava o terceiro lugar, com 32%. (Veja os gráficos no final deste texto)

 

O consenso sobre a gravidade da ansiedade e da depressão atravessa diferentes segmentos da população jovem. Para os de esquerda ou de direita, homens ou mulheres, jovens de maior ou menor renda, católicos, ateus ou evangélicos, brancos, negros ou pardos, universitários ou não universitários, para trabalhadores em todas as condições, jovens de todas as regiões do país – este é o maior problema dos jovens, segundo eles mesmos.

 

Para Pedro Arantes, professor da Unifesp e coordenador da pesquisa, “essa elevada preocupação dos jovens com problemas de saúde mental é um fenômeno de origem multifatorial que indica uma grande necessidade de estudos mais aprofundados”. Contudo, ele aponta que já é possível considerar aspectos como insegurança e incertezas em relação ao mundo do trabalho, exposição à violência urbana e objetivos por uma vida de sucesso. “Há também questões de podem vir das novas tecnologias, como a hiperexposição em redes sociais, bullying digital e riscos de cancelamento, por exemplo”.

 

Religião, raça/cor e estudantes – Apesar de generalizado, os índices de preocupação variam de acordo com o perfil dos entrevistados. Mulheres apontam esses transtornos de saúde mental mais frequentemente que homens (43% contra 32%). Jovens da classe AB mencionam o tema com maior frequência (42%) em relação aos da classe DE (33%).

 

Entre as categorias religiosas, os evangélicos apresentaram o maior índice de preocupação com ansiedade e depressão, com 44%, enquanto jovens de religiões de matriz africana demonstraram menor preocupação relativa, com 29%. Quanto à cor ou raça, brancos destacaram-se com 42%, seguidos por negros (40%) e pardos (37%). Já os jovens amarelos foram os que menos mencionaram o tema, com 30%.

 

Os dados também indicam que a saúde mental é uma preocupação maior entre os universitários. Entre eles, 51% mencionaram ansiedade e depressão como os principais problemas, contra 32% dos que não estão no ensino superior. O espectro político também influenciou as respostas: 50% dos jovens que se identificam com a esquerda ou centro-esquerda indicaram a saúde mental como prioridade, enquanto entre os de centro, o índice foi de 28%.

 

Vício em celular e drogas – Além de ansiedade e depressão, outros temas relacionados à saúde mental também cresceram em importância entre 2021 e 2024. O vício em celular, redes sociais e games teve um aumento de 41% no período, passando de 17% para 24%, sendo apontado principalmente por mulheres (27%), jovens de classe AB (27%) e estudantes de universidades privadas (29%). O consumo de drogas, por sua vez, foi identificado como um problema relevante por 22% dos jovens, com destaque entre os de classe C (30%) e jovens com ensino superior completo (34%).

 

A comparação entre 2021 e 2024 revela mudanças nas prioridades da juventude brasileira. Em 2021, os principais problemas apontados pelos jovens eram o desemprego e trabalho precário (44%) e a falta de perspectiva de futuro (33%), que agora caíram para 23% e 22%, respectivamente, ocupando a quarta e a quinta posições no ranking de 2024.

 

Entre os jovens desempregados, o desemprego ainda lidera como o principal problema, sendo mencionado por 31%. Contudo, mesmo entre este grupo, a ansiedade e a depressão aparecem em segundo lugar, com 29% das menções. A saúde mental também é um tema destacado entre trabalhadores autônomos, MEIs e PJs (41%).

 

As variações regionais na percepção de ansiedade e depressão como problema são discretas, mas existem. Em geral, a preocupação é levemente maior em regiões urbanizadas e com maior acesso à educação. No entanto, o levantamento destaca que o tema é relevante em todas as regiões do país.

 

Mais revelações – A pesquisa do SoU_Ciência traz outras revelações importantes:

  • Os jovens são mais favoráveis à legalização do aborto do que à legalização da maconha: 41% e 33%, respectivamente.
  • O maior problema do Brasil é corrupção (34%), seguido pela violência e falta de segurança (30%).
  • No campo profissional, a principal aspiração é ter o próprio negócio, apontada por 30% dos entrevistados, enquanto apenas 11% disseram almejar emprego com carteira assinada.
  • A crise ambiental e hídrica é apontada por 24% dos jovens como um dos principais problemas do país, número que representa um crescimento de 243% em relação ao levantamento realizado em 2021, quando apenas 7% mencionavam o tema.
  • No campo político-ideológico 58% declaram não fazer parte nem da direita nem da esquerda, segmentos que são representados por 17% e 16%, respectivamente, dos jovens. 9% se definem como de centro.

A pesquisa “O que pensam os jovens brasileiros” foi realizada pelo Centro Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (Sou Ciência), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA.

 

Entre 16 e 23 de setembro de 2024 foram entrevistados 1.034 jovens de 18 a 27 anos, de todas as regiões do país, via telefone celular. Os dados foram ajustados com base no censo mais recente do IBGE para refletir o perfil real da juventude brasileira.

 

A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Para garantir resultados precisos, os questionários passaram por uma rigorosa checagem de qualidade. As 55 perguntas do questionário abordaram temas relacionados a aspectos da vida pessoal, estudantil e profissional dos jovens, suas perspectivas de futuro, posições ideológicas e percepções sobre o país.

 

GRÁFICO 1 – Principais problemas dos jovens segundo eles mesmos, em setembro 2024.

(Pergunta permite até três respostas).
Fonte: SoU_Ciência/Instituto IDEIA, set/24.

 

GRÁFICO 2 – Principais problemas dos jovens segundo eles mesmos, em 2021 e 2024.

 

(Pergunta permite até três respostas. Em 2021, jovens de 16 a 29 anos. Em 2024, jovens de 18 a 27 anos).
Fonte: SoU_Ciência/Instituto IDEIA, set/24

 

O Panorama Atual da ansiedade e depressão entre os jovens brasileiros em 2026

A crise de saúde mental entre os jovens brasileiros atingiu níveis críticos. Dados apontam que 1 a cada 3 jovens apresenta sintomas de ansiedade e depressão. O cenário afeta desproporcionalmente as meninas, com 25% relatando que a vida não vale a pena, índice o dobro do registrado entre os meninos. 

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), conduzida pelo IBGE, mapeou a vulnerabilidade emocional de estudantes de 13 a 17 anos: 

  • Tristeza: 3 em cada 10 alunos afirmam sentirem-se tristes sempre ou na maior parte do tempo.
  • Autolesão: Uma proporção semelhante revelou já ter tido vontade de se machucar de propósito.
  • Ideação Suicida: Cerca de 1 em cada 5 universitários relata pensamentos sobre pôr fim à própria vida. 

Fatores de Risco e Recorte Regional

Especialistas associam essa elevação alarmante ao uso intensivo de telas e redes sociais, além do isolamento social prolongado. No Rio de Janeiro, um estudo conduzido por três universidades públicas destacou que a pressão acadêmica tem agravado a saúde mental de estudantes e funcionários, exigindo intervenções diretas nas instituições. 
Para acessar dados completos e análises de especialistas sobre essa urgência social, você pode conferir as seguintes reportagens:
  • Cobertura da Agência Brasil sobre o levantamento do IBGE.
  • Debate da equipe de jornalismo do Senado Federal.
  • Podcast do G1 que discute a crise de saúde mental na faixa etária.

Como ajudar um jovem na sua região de Niterói

Para disponibilizar ajuda a jovens com ansiedade e depressão, você pode atuar em três frentes principais: acolhimento individual, direcionamento para serviços de saúde ou mobilização comunitária/escolar.

1. Como Acolher Individualmente (Primeira Ajuda)

O suporte inicial deve ser focado na escuta ativa e na validação dos sentimentos, sem julgamentos. 
  • Escute: Deixe o jovem falar sem interromper ou minimizar a dor dele.
  • Valide: Evite frases como “isso é drama” ou “você tem tudo”.
  • Pergunte: Questione diretamente: “Como posso te apoiar hoje?”.
  • Monitore: Fique atento a isolamento físico, queda escolar e postagens tristes. 

2. Onde Encontrar Ajuda Gratuita (Encaminhamento)

Se você identificar a necessidade de suporte profissional, direcione o jovem para a rede pública ou comunitária.
  • CVV: Ligue 188 para apoio emocional gratuito e sigiloso (24 horas).
  • SUS: Vá ao Posto de Saúde (UBS) para triagem e encaminhamento.
  • CAPS i: Busque o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil da sua região.
  • Faculdades: Procure o Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) de universidades locais.

3. Como Agir nas Escolas e Comunidades

Instituições de ensino e coletivos podem criar redes de proteção estruturadas.
  • Canais: Crie caixas de desabafo físicas ou digitais anônimas.
  • Rodas: Promova conversas periódicas sobre emoções com profissionais convidados.
  • Treinamento: Ofereça workshops de primeiros socorros psicológicos para professores e pais.
  • Cartilhas: Distribua materiais impressos ou PDFs com contatos de emergência locais.

 

Por Olheinfo, com Assessoria de Imprensa Agência Acadêmica e Modo IA

Foto: divulgação

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Redação Olheinfo

Veículo de comunicação web periódico criado em 2007 no Distrito Federal, editado pelo Jornalista Responsável DF04203JP, Publicitário 458-MTP e Consultor Master em Gestão Empresarial Paulo Eduardo Dubiel, Esp.

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