Tecnologia

A Última Pergunta de Isaac Asimov e a evolução da humanidade

A Última Pergunta de Isaac Asimov e a evolução da humanidade
  • Publishedjunho 24, 2025

A Última Pergunta de Isaac Asimov e a evolução da humanidade que impede que o universo acabe revertendo a entropia.

Ao fim veremos que os humanos transcendem seus corpos físicos e fundem as suas mentes numa única consciência coletiva que é a vida. 

Primeiramente, este conto “A Última Pergunta” de Isaac Asimov mostra claramente a busca desenfreada dos últimos tempos pelo conhecimento de uma forma linear, subjetiva e material, refletindo a inquietude do ser humano pela busca do autoconhecimento e pela vida que se tornou algo oculto.

Com isso, a falta de instrução de como buscar este conhecimento relacionado à vida torna a humanidade refém de teorias sem a profundidade e sem vida. Por ser complexo fugir do pensamento linear e buscar algo que não existe, aparentemente torna-se mais coerente tentar buscar fora o que está dentro, pois o que está fora conseguimos ver e determinar o tempo e o espaço do mundo tridimensional de Euclides.

Ao contrário, o autoconhecimento que está dentro de cada um é a vida que não tem explicação teórica e não se pode medir, pois nos mundos . No entanto, a frase “Quem conhece a si mesmo, conhecerá o universo” reflete uma ideia profunda do que estamos trazendo à reflexão. A Bíblia também remete a este mesmo conhecimento na frase “quem vier a mim jamais morrerá”, uma referência bíblica encontrada no Evangelho de João, capítulo 11, versículo 26. A passagem completa diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso?”.

Contudo, acompanhe ao final do texto a reflexão completa de que todos podemos viver para sempre sem nos preocuparmos com o fim da existência humana. O autoconhecimento associado aos mistérios da vida mostra com clareza o caminho que devemos seguir para encontrar o alimento espiritual que dá a vida ao nosso ser espiritual.

 

“A Última Pergunta” de Isaac Asimov 

A última pergunta foi formulada pela primeira vez, meio a brincar, em 21 de maio de 2061, quando a humanidade se começava verdadeiramente a desenvolver. A pergunta resultou de uma aposta de cinco dólares e o caso aconteceu da seguinte forma:

Alexander Adell e Bertras Lupov eram dois dos fiéis assistentes de Multivac. Sabiam tudo o que havia a saber sobre o gigantesco computador – tudo o que lhes era permitido saber, claro está, pois Multivac possuía muitos segredos nas suas milhas e milhas de extensão. Os dois homens, contudo, conheciam o computador melhor do que qualquer outro ser humano, e tinham uma idéia bastante acertada do seu plano geral de circuitos numa era em que mais ninguém se atrevia sequer a tentar estudar a complicada e intrincada maquinaria.
Multivac não precisava de grande assistência, pois ajustava-se e corrigia-se, sem auxílio humano, quando isso era necessário. Adell e Lupov eram apenas assistentes em nome e as suas funções eram muito superficiais e ligeiras. Limitavam-se a fornecer informações ao computador, a ajustar as perguntas de forma a torná-las mais compreensivas e traduzir as respostas em termos que o público percebesse melhor. Os dois homens, tal como todos os seus colegas, tiveram todo o direito de participar da glória de Multivac no dia em que este se tornou pública a sua maior invenção.
Multivac auxiliava os especialistas, há muitas dezenas de anos, a construir naves espaciais e a traçar as trajetórias que as levavam à Lua, Marte e Vênus, mas para além desses planetas, os pobres recursos da Terra não podiam abastecer essas naves. A energia necessária para as viagens mais longas era demasiada, e o carvão e o urânio já escasseavam na Terra.
Multivac foi aprendendo lentamente a responder a perguntas mais fundamentais sobre o assunto, e, em 14 de maio de 2061, o que era teoria passou a ser fato.
A energia solar passou então a ser acumulada, convertida e utilizada por todo o planeta. A Terra deixou, quase de um momento para o outro, de servir-se de carvão e de urânio e começou a usar os raios invisíveis da energia solar que eram fornecidos por uma pequena estação, com uma milha de diâmetro, situada a meio caminho entre a Lua e a Terra.
Passados sete dias, quando finalmente Adell e Lupov conseguiram escapar às funções públicas e à glória que partilhavam com Multivac devido aquela tremenda inovação, os dois homens encontraram-se num pequeno recanto silencioso de um das câmaras subterrâneas que abrigavam algumas das partes do gigantesco corpo de Multivac. O computador merecia também um momento de calma e repouso e os dois amigos não tinham, de começo, a menor intenção de incomoda-lo.
Adell e Lupov tinham trazido consigo uma garrafa e a sua única intenção, de momento, era passar um momento agradável em companhia um do outro e da garrafa.
– É fantástico quando pensamos no que isto representa – comentou Adell, depois de encher o copo e de ter provado a bebida. – Toda energia que for necessária, de graça, completamente de graça! Energia suficiente, se a absorvêssemos toda, para derreter completamente a Terra. Toda energia que quisermos para sempre, para sempre e para sempre!
Lupov resolveu contrariar o amigo, como era seu hábito e, ainda por cima, fora obrigado pelo outro a comprar a garrafa.
– Para sempre não!
– É como se fosse para sempre. Até que nosso sol se acabe – Respondeu ele.
– Isso não é “para sempre”.
– Está bem, tens razão. Bilhões e bilhões de anos, energia para pelo menos vinte bilhões de anos!
Lupov passou a mão pelo cabelo intrigado por aquele problema: – Vinte bilhões de anos não é “sempre”.
– Não, mas temos energia para toda a nossa vida, respondeu Adell, ligeiramente agastado pela insistência do amigo.
– O carvão e o urânio também não nos faltariam durante toda a nossa vida.
– Concordo… Mas agora podemos abastecer todas as naves espaciais sem dificuldades. Podem ir a Plutão um milhão de vezes e voltar à Terra, sem preocupações de combustível, o que não era possível com carvão e urânio. Pergunta a Multivac, se é que não me acredita.
– Não preciso perguntar a Multivac. Sei-o muito bem.
– Então não desprezes o que o Multivac fez por nós, exclamou Adell. – Já tem feito muito pela humanidade e agora ultrapassou todas as expectativas.
– Não compreendeste o que eu queria dizer. Não pense que não admiro Multivac tanto como tu. Eu disse apenas que vinte bilhões de anos não é sempre, e que o sol não é eterno. E, então, que sucederá quando o nosso sol morrer? Perguntou Lupov, muito excitado. Não me digas que ligamos a corrente a outro sol.
Adell não respondeu e o silencio naquele recanto tão tranqüilo tornou-se completo. Os dois homens estavam muito pensativos, bebendo lentamente e repousando das fadigas e barulheiras da semana finda.
Lupov, passado um bocado, abriu os olhos e perguntou subitamente ao amigo: – Estás a pensar em usar a energia de outro sol quando o nosso morrer não estás?
– Nem sequer estava a pensar, respondeu Adell.
– Isso é que estavas. O teu mal é não seres muito forte em lógica. És como aquele rapaz que foi apanhado na rua por uma chuva torrencial e que se abrigou debaixo de uma árvore. Não se preocupou nada pois pensou que, quando aquela árvore estivesse encharcada, iria para debaixo de outra!
– Bem te percebo, disse Adell, Queres dizer que, quando o nosso sol morrer, os outros também virão a morrer.
– Naturalmente, resmungou Lupov. – Tudo teve origem na explosão cósmica inicial, causada não sabemos por que, e tudo acabará quando as estrelas morrerem. Umas gastam-se mais depressa do que as outras, e os sóis gigantescos não duram mais do que cem milhões de anos. O nosso sol viverá uns vinte bilhões de anos e os sóis anões uns cem bilhões de anos, mas já sabes que estes não nos serviriam de muito. Estou convencido de que dentro de um trilhão de anos já não existirá nada no Universo. A entropia tem forçosamente de alcançar um ponto máximo, ou julgas que não?
– Sei tudo o que há a saber sobre entropia, disse Adell com uma dignidade forçada.
– Isso dizes tu.
– Então sabes que tudo tem de acabar.
– Sei tanto como tu
– Está bem, eu não disse que assim não fosse.
– Isso é o que disseste. Dizia a pouco que a energia solar seria para sempre. Disseste bem “para sempre”!
Era a vez de Adell contrariar o amigo: – Talvez nos venha a ser possível evitar o fim de tudo.
– Não é possível.
– Porquê? Temos muito tempo pra estudar o assunto.
– Nunca.
– Pergunte a Multivac.
– Pergunta tu. Aposto que tenho razão. Aposto cinco dólares que o universo não será eterno.
Adell já bebera muito, mas ainda possuía a necessária sobriedade para frasear os necessários símbolos e operações a fim de formular uma pergunta que, em palavras, corresponderia a: Será a humanidade capaz de evitar que todas as estrelas, e nosso sol em particular, venham a morrer de morte natural?
Ou talvez a pergunta devesse ser formulada da seguinte maneira: Como poderá a quantidade de entropia do universo ser diminuída consideravelmente?
Multivac parecia ter morrido, depois da pergunta lhe ser formulada, o silêncio era total e os dois amigos quase não ousavam respirar tal era a tensão que os dominava. O teletipo que servia aquela porção do Multivac começou a funcionar subitamente. A resposta continha seis palavras: DADOS INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.
– Não temos aposta, murmurou Lupov, e os dois amigos resolveram deixar precipitadamente o local, pois a atmosfera carregara-se demasiado naquele momento de tensão e expectativa.
Na manhã seguinte, com muitas dores de cabeça e arrependendo-se do muito que tinham bebido, os dois amigos não recordavam de todo o episódio.
Jerrodd, Jerrodine, e Jerrodette I e II observavam a imagem de estrelas e constelações a modificar-se quase instantaneamente no visor de bordo, já que a passagem pelo hiper-espaço fora efetuada no seu lapso de não-tempo. A poeira de estrelas, que antes se via, dera lugar a um único predominante disco de luz que parecia centrado no espaço.
– Trata-se de X-23, comentou Jerrodd, apontando para o disco. As duas pequenas Jerrodettes nunca antes tinham passado pelo hiper-espaço e encontravam-se um pouco estonteadas por aquela súbita sensação de exterior-interioridade, mas depressa se recompuseram começando a cantarolar e dançar na nave espacial. -Alcançamos X-23… Alcançamos X-23, alcançamos…
Calem-se meninas, disse Jerrodine, agastada por todo aquele ruído. – Tens certeza, Jerrodd? Perguntou ela ansiosamente ao marido.
– Não posso deixar de ter certeza, pois não? Perguntou Jerrodd, por sua vez olhando para o longo tubo de metal que corria ao longo do teto e que não era tão comprido como a própria nave.
Jerrodd pouco sabia a respeito desse tubo de metal, exceto que se chamava Microvac e que era possível formular-lhe perguntas, que tinha a função de guiar a nave a qualquer destino que lhe fosse comunicado, que se abastecia de energia nas várias estações sub-galáticas e que computava as equações para as transições hiper-espaciais.
Jerrodd e a familia nada tinham a fazer durante a viagem e limitavam-se a viver confortavelmente na parte habitável da nave.
Alguém lhe dissera uma vez que o “ac” no final da palavra Microvac representava as palavras “análogo” e “computador” numa linguagem de outros tempos, mas Jerrodd não fazia a menor idéia do que isso significava.
Jerrodine sentia-se bastante infeliz e não tirava os olhos do visor. Não me habituo a idéia de abandonar a Terra para sempre, disse ela com lágrima nos olhos.
– Porquê? Perguntou Jerrodd. – Aquilo não era vida. Em X-23 teremos tudo que quisermos. Não estaremos sós, nem sequer seremos pioneiros. O planeta já tem mais de um milhão de imigrantes como nós. Os nossos netos também terão de procurar um novo planeta quando este tiver uma percentagem de população por milha quadrada mais elevada do que é indicado, disse ele, acrescentando depois de uma curta pausa. – Não sei o que teria acontecido se os computadores não tivessem inventado as viagens hiper-espaciais… da maneira que a população vai aumentando!
Bem sei, concordou Jerrodine muito triste. Jerrodette I afirmou, muito orgulhosa: – O nosso Microvac é o melhor dos Microvaques.
– Também me parece, respondeu Jerrodd acariciando a filha.
Era muito conveniente possuir um Microvac e Jerrodd alegrava-se de fazer parte desta geração e não da passada. No tempo do seu pai, os únicos computadores que existiam eram máquinas enormes que ocupavam muitas milhas de extensão, e só existiam um único em cada planeta. Chamavam esses AC Planetários. Os computadores cresceram fantasticamente em mil anos de aperfeiçoamentos e expansão, e depois começaram a diminuir em tamanho de uma maneira vertiginosa. Em lugar de transistores, que inicialmente possuíam uma importância vital no funcionamento dos computadores, começaram a usar-se válvulas moleculares de tal forma que, finalmente, os AC Planetários passaram a ter apenas metade do tamanho de uma nave espacial.
Jerrodd sentia-se sempre muito orgulhoso quando pensava que o seu Microvac era mil vezes mais complicado do que o antigo e primitivo Multivac que descobrira a forma de utilizar a energia do sol, e quase tão complicado do que o AC Planetário da Terra (o maior de todos) que inventara o método de viajar pelo hiper-espaço e que tornara possível as viagens por todo o Universo.
– Tantas estrelas e tantos planetas! Exclamou Jerrodine, soltando depois um suspiro de resignação. – É possivel que a raça humana continue sempre a viajar pelo Universo, como nós agora o fazemos.
– Sempre, não, disse Jerrodd, sorrindo, O Universo terá de morrer, um dia, dentro de bilhões de anos. Muitos bilhões. As estrelas gastam-se, morrem. A entropia aumenta constantemente.
– O que é entropia, Paizinho, perguntou Jerrodette II.
– Entropia, filha, é uma palavra que significa a quantidade de desgaste que o Universo sofre. Tudo se gasta, como sucedeu com o robotezinho que te dei, lembras-te?
Não é possível por uma pilha nova no Universo, como fizeste ao meu robô?
– Não, as estrelas é que são as pilhas, minha filha. Uma vez que elas se gastem, acabaram-se as pilhas.
Jerrodette I sobressaltou-se. Não as deixes, Paizinho. Não deixes as estrelas morrerem, pediu ela a choramingar.
– Vés o que fizeste? Comentou Jerrodine, num murmúrio.
– Como é que eu havia de saber que as pequenas se assustavam com o que lhes disse? Respondeu-lhe Jerrodd, falando também em voz baixa.
Pergunta ao Microvac, implorou Jerrodette, insistente. – Pergunta ao Microvac como é que se acaba com essa entropia!
– Faz-lhe a vontade, pediu Jerrodine. – Talvez as acalmes.
Jerrodd encolheu os ombros. – Está bem, está bem. Vou perguntar ao Microvac, filhas. Não se preocupem…. ele sabe tudo
Jerrodd formulou a pergunta e o aparelho emitiu imediatamente a resposta, por meio de um pequeno negativo que Jerrodd logo escondeu, dizendo às filhas: – O Microvac diz que não se preocupem, que tomará conta do assunto quando chegar a altura.
– São horas de ir pra cama, meninas… disse Jerrodine.
Jerrodd voltou a ler a resposta de Microvac, antes de destruir o negativo. “DADOS INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
Jerrodd encolheu os ombros, sem ligar grande importância ao fato, e olhou pelo visor para X-23, que já se encontrava muito perto.
VJ-23X, de Lameth, examinava as profundezas negras do mapa, em três dimensões, de toda a galáxia.
Talvez sejamos ridículos em nos preocupar tanto com o “problema”, comentou ele.
MQ-17J, de Nicron, abanou a cabeça. Não me parece que seja ridículo. A galáxia estará completamente cheia dentro de cinco anos, se a expansão continuar nas mesmas proporções de agora.
Os dois homens aparentavam ter uns vinte anos e eram ambos muito altos, elegantes, com feições muito puras e um olhar que revelava uma inteligência fora do vulgar.
– Mesmo que assim seja, disse VJ-23X, não me agrada muito entregar um relatório tão pessimista ao Conselho Galáctico.
– Terá de ser pessimista, não podemos preparar um relatório falso. Até será bom que se assustem, bem sabes que caíram numa letargia e que nada parece convencê-los a agir.
VJ-23X suspirou, preocupado. O espaço é infinito, existem mais de cem bilhões de galáxias a nossa espera. Mais… muitas mais…
Cem bilhões não é uma infinidade, e cada dia que passa são menos infinitas. Pensa bem! A humanidade descobriu o processo de utilizar a energia solar há uns bons vinte mil anos, e, algumas centenas de anos mais tarde descobriu a forma de viajar pelo hiper-espaço e de viajar livremente por toda a galáxia. A humanidade levou então um milhão de anos a encher um pequeno planeta, e, depois, apenas quinze mil anos para encher completamente o resto da galáxia. Já sabes que a população dobra todos os dez anos. É fantástico, mas é verdade.
Naturalmente. A imortalidade existe e temos de a tomar em consideração. Confesso que esta nossa imortalidade tem os seus defeitos. O AC Galáctico tem-nos resolvido muitos problemas, mas, quando resolveu o problema da velhice e da morte, criou um paradoxo que anulou as vantagens de muitos dos seus desenvolvimentos e descobertas.
– Não me digas que estás farto de viver…
– Nem por sombras! Redarguiu MQ-17J imediatamente. Ainda não! Sou muito novo para isso. E tu, que idade tens agora?
– Duzentos e vinte e três anos. E tu?
– Ainda nem sequer tenho duzentos anos… Voltemos, porém, ao que estava a dizer. A população dobra cada dez anos. Uma vez que a galáxia esteja completamente cheia, ocuparemos outra dentro de dez anos. Outros dez anos e teremos enchido mais duas galáxias. Ainda mais dez anos, e outras quatro galáxias. Dentro de cem anos teremos ocupado e colonizado mil galáxias. Em mil anos, um milhão de galáxias. Dentro de dez mil anos, o inteiro Universo. E depois?
– Existe também o problema de transporte, comentou VJ-23X. Gostaria de saber quantas unidades de energia solar serão precisas para mover populações inteiras de galáxia para galáxia.
– Ai tens outro problema insolúvel. A humanidade já consome duas unidades de energia solar por ano.
– A maior parte dessa energia é desperdiçada. Lembra-te de que a nossa própria galáxia, só por si, produz mil unidades de energia solar e só nos servimos de duas unidades.
– Concordo contigo, mas mesmo que despendêssemos com uma eficiência de cem por cento, essa energia solar há de vir a gastar-se. O nosso consumo de energia aumenta numa progressão geométrica ainda mais rapidamente do que a população. Vais ver que usaremos toda a energia solar ainda mais depressa do que usaremos todas as galáxias.
– Teremos de construir novas estrelas com o auxilio de gases intra-estrelares.
– Ou do calor dissipado? Perguntou MQ-17J, com um certo tom de sarcasmo na voz.
– Talvez haja qualquer forma de inverter a entropia. Podiamos muito bem perguntá-lo ao AC Galáctico.
– VJ-23X não dissera aquilo muito a sério, mas MQ-17J tirou da algibeira o seu pequeno terminal AC e colocou-o em cima da mesa.
– Parece-me boa idéia. Trata-se de um problema ao qual a raça humana terá de fazer face um destes dias.
– O rapaz olhou sombriamente para o terminal AC, que era um pequeno cubo e que estava ligado, pelo hiper-espaço, ao enorme AC Galáctico que servia toda a humanidade. Levando em conta a natureza do hiper-espaço, aquele dispositivo era uma parte integral do AC Galáctico.
– MQ-17J fez uma pausa pensando se, em algum dia da sua imortalidade, the seria permitido ver de perto o AC Galáctico. O AC constituía, por sí próprio, um pequeno mundo independente de tudo, uma espécie de teia de aranha feita de raios solares que segurava nas suas entranhas as partes sólidas do computador, dentro das quais as ondas de sub-mesões tinham, a muito tempo, tomado o lugar das válvulas moleculares.
– MQ-17J perguntou, então, ao seu terminal AC: Será possível inverter a entropia?
– VJ-23X pareceu muito surpreendido e disse imediatamente: – Não queria que o perguntasse, estava a brincar. – Porquê?
– Sabemos muito bem que a entropia não pode ser invertida, tal como é impossível fazer com que cinzas de madeira e de fumo voltem de novo a fazer uma árvore!
– Não me digas que tens árvores no teu planeta, respondeu MQ-17J, irônico.
– O som do AC Galáctico interrompeu-os. A sua voz elevou-se, melodiosa e muito nítida, do pequeno terminal AC: DADOS INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.
– VJ-23X soltou uma exclamação. – Vês?
Os dois homens voltaram então à questão do relatório que tinham de apresentar ao Conselho Galáctico.
A mente de Zee Prime estudou esta nova galáxia com um ligeiro interesse na enorme quantidade de estrelas que a enchiam. Nunca visitara esta galáxia, seria possível que as viesse a visitar todas? Existiam tantas, cada uma delas com seu carregamento de humanidade… um carregamento que, afinal, já pouco pesava. A verdadeira essência dos homens fugia para o espaço, cada vez mais, e já eram poucos os que habitavam mentalmente, a solidez dos planetas.
Mentes, não corpos! Os corpos imortais, esses, permaneciam nos planetas, em suspensão durante anos e anos. Era raro que se levantassem para qualquer atividade material, e isto ainda se tornava menos freqüente de ano para ano. Verdade era que poucos novos indivíduos nasciam para se juntarem aos bilhões de seres humanos, mas que importância tinha isso? O Universo já tinha pouco espaço para abrigar mais corpos materiais.
Zee Prime despertou de sua reverie ao sentir a presença mental de outra mente.
– Eu sou Zee Prime, informou ele, a quem tenho eu o prazer de…
– Sou Deeb Sub Wun. De que galáxia veio?
– Não tem nome. Chamamos-lhe apenas a Galáxia. E esta, como se chama?
– Também só a conhecemos por Galáxia. Parece que agora as Galáxias já não têm nomes e que todos se referem à sua Galáxia e nada mais. Não vejo as vantagens de lhes voltar a dar nomes.
– Tem razão. As Galáxias são todas iguais.
– Nem todas. Há uma que é diferente, aquela que originou a raça humana.
– Onde é que fica essa Galáxia? Perguntou Zee Prime.
– Não sei. O AC Universal é que deve saber.
– E se lhe perguntássemos? Estou com uma grande curiosidade.
Zee Prime pensou em todos os bilhões de galáxias, todas iguais e todas elas com as suas populações corporais e mentais, e admirou-se ao lembrar-se de que uma delas era muito diferente única por ser a Galáxia original que criara a humanidade.
Zee Prime decidiu visitar esta Galáxia e não hesitou em dirigir-se ao computador celestial. – AC Universal! Em que Galáxia é que nasceu a humanidade?
O AC Universal ouviu a pergunta, pois possuía receptores sempre alerta em todos os mundos e por todo o espaço. Estes receptores estavam ligados, pelo hiper-espaço, a um ponto qualquer, desconhecido de todos, onde o AC Universal se mantinha isolado e sempre pronto a auxiliar qualquer ser humano que a ele recorresse.
Zee Prime ouvira falar de um homem que uma vez se aproximara mentalmente do ponto em que se julgava encontrar o AC Universal, mas que vira apenas um pequeno globo com poucos metros de diâmetro. – Mas como é possível que um globo tão pequeno fosse o AC Universal, perguntara Zee Prime, admiradíssimo.
A maioria do AC Universal, explicara-lhe alguém, encontra-se no hiper-espaço, mas ninguém sabe com que forma e dimensões.
Não admirava, pensara Zee Prime, pois já lá ia o tempo em que o homem tomara qualquer parte nas atividades do AC Universal. Cada um dos computadores planeava e construía o seu sucessor sem o menor auxilio humano. Cada um dos AC Universais, com seu milhão de anos ou mais de existência, acumulava os dados necessários para construir um sucessor melhor e mais complicado, no qual os seus próprios conhecimentos e individualidade seriam submergidos..
O AC Universal interrompeu os pensamentos de Zee Prime, não com palavras mas mentalmente. A mente de Zee Prime sentiu-se guiada rapidamente por entre milhões de galáxias, até que se deteve numa galáxia distante. Zee Prime sentiu um pensamento invadir-lhe a mente, infinitamente nitido: ESTA É A GALAXIA QUE ORIGINOU A RAÇA HUMAΝΑ!
Zee Prime ficou muito desapontado, pois afinal, a Galáxia era igual a todas as outras. Deeb Sub Wun, que seguira o outro, em pensamento, perguntou subitamente: E qual daqueles é o sistema planetário onde nasceu a humanidade?
– O SOL QUE ABASTECIA ESSE SISTEMA EXPLODIU. O PLANETA TERRA FOI COMPLETAMENTE DESTRUÍDO, respondeu o AC Universal.
– E o que sucedeu aos seus habitantes? Morreram? Perguntou Zee Prime, estremecendo ante a idéia da morte que há já muitos milhões de anos não fazia parte do seu vocabulário.
– NÃO. SALVARAM-SE POIS FOI POSSÍVEL CONSTRUIR-LHES UM NOVO MUNDO PARA SEUS CORPOS MATERIAIS, COMO É COSTUME NESSES CASOS.
– Naturalmente, murmurou Zee Prime, lembrando-se de que o AC Universal, e antes dele o AC Galáctico, nunca permitiram a morte de uma população inteira, e, particularmente, da que originara a raça. Zee Prime deixou-se libertar da influência do AC Universal e regressou imediatamente ao ponto onde antes se encontrara. Sentia-se deprimido, preocupado, e não queria voltar a ver aquela Galáxia onde tinham nascido os primeiros homens.
– Que se passa? Perguntou-lhe Deeb Sub Wun, sentindo o pessimismo do outro.
– O Universo está a morrer… o Sol original já morreu!
– Todas as estrelas têm de morrer. Não vejo que isso tenha de grande importância.
– Mas quando se gastar toda a energia, os nossos corpos morrerão, com certeza, e nós também.
– Temos ainda bilhões de anos a nossa frente.
– Não quero que isso aconteça, mesmo passados bilhões de anos. AC Universal, chamou Zee Prime. – Será possível impedir que as estrelas morram?
– Isso seria inverter a entropia, o que é impossível, comentou Deeb Sub Wun.
– OS DADOS AINDA SÃO INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA. Respondeu o AC Universal.
A mente de Zee Prime retirou-se para a sua própria Galáxia, sem sequer se despedir de Deeb Sub Wun, cujo corpo se encontrava certamente numa Galáxia distante e que talvez nunca viesse a encontrar de novo.
Zee Prime, muito infeliz com a resposta do AC Universal, começou a juntar hidrogênio intra-estelar para construir uma pequena estrela só para si. Se as estrelas tinham de morrer, pelo menos ainda era possível passar o tempo a formar algumas novas estrelas.
A Humanidade falava de si para si, já que, de certo modo, a Humanidade era um todo mental indivisível. Esse todo mental representava trilhões de corpos sem idade, cada um no seu ponto do Universo, cada um deles repousando calma e incorruptamente, e cada um deles cuidado por automatos perfeitos e também incorruptiveis, enquanto que todas as mentes do Universo se juntavam num único pensamento, numa única mente universal.
– O Universo está prestes a morrer, disse a Humanidade.
A Humanidade passeou o olhar pelas obscuras Galáxias que constituíam o Universo. As brilhantes estrelas gigantescas já há muito tinham desaparecido, e as poucas estrelas que restavam empalideciam rapidamente, já sem brilho nem energia para alimentar a Humanidade.
Era verdade que tinham nascido outras novas estrelas, entre as de maior idade, algumas por meio de processos naturais e outras construídas pelo Homem, mas estas tinham a vida curta e também já começavam a morrer. Era possível, não havia dúvida, continuar a formar novas estrelas com o auxilio da poeira estrelar que flutuava pelo espaço.
– Desde que seja economizada cuidadosamente, segundo as instruções do AC Cósmico, a energia que ainda existe pelo Universo poderá durar alguns milhões de anos, disse a Humanidade.
– Isso não impedirá, respondeu a Humanidade, que tudo venha a acabar. Essa energia acabará por se esgotar. A entropia continuará a aumentar até alcançar o seu ponto máximo.
– Será possível inverter a entropia? Quis saber a Humanidade. – Perguntemos ao AC Cósmico.
O AC Cósmico rodeava a Humanidade, mas não no espaço. Não existia o menor fragmento do computador que se encontrasse no espaço. O AC Cósmico era composto de qualquer coisa que nem era matéria nem energia, e instalara-se definitiva e completamente no hiper-espaço. A questão das suas dimensões e da sua natureza já não tinha o menor significado em termos que a Humanidade pudesse compreender.
– AC Cósmico, perguntou a Humanidade, como será possível inverter a entropia?
– OS DADOS AINDA SÃO INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA, respondeu o AC Cósmico.
– Reúna, então, os necessários dados, comandou a Humanidade.
– ASSIM O CONTINUAREI A FAZER. HÁ CEM BILHÕES DE ANOS QUE O FAÇO. TANTO OS MEUS PREDECESSORES COMO EU PRÓPRIO JÁ FOMOS MUITAS VEZES INTERROGADOS SOBRE ESTE PROBLEMA. OS DADOS QUE POSSUO CONTINUAM A SER INSUFICIENTES.
– Será possível que venha a reunir todos os dados suficientes para formar uma resposta, perguntou a Humanidade, ou será o problema insolúvel em qualquer circunstância?
NÃO EXISTE QUALQUER PROBLEMA QUE SEJA INSOLÚVEL EM QUALQUER CIRCUNSTANCIA QUE POSSA SER CONCEBIDA, respondeu o AC Cósmico.
Quando é que possuirá todos os dados que lhe permitam dar-nos essa informação, perguntou a Humanidade.
– OS DADOS AINDA SÃO INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.
– Nunca deixe de estudar o problema, pediu a Humanidade.
– MUITO BEM, respondeu o AC Cósmico.
– Aguardemos, comentou a Humanidade, resignada.
As estrelas e as Galáxias, moribundas e obscuras, já não iluminavam o espaço como o haviam feito durante dez trilhões de anos.
Um por um, os homens foram-se misturando com o AC, cada um dos corpos fisicos perdendo a sua identidade mental de uma forma que não representava uma perda, mas sim um benefício.
A última mente da Humanidade pausou antes de se fundir, olhando para o espaço que nada continha, além de uma vaga poeira e de um ou outro corpo sem vida nem luz, e que se desvanecia lentamente num zero absoluto.
– Será isto o fim de tudo AC? Perguntou a Humanidade. Será possível vir a transformar esse caos num novo Universo? Será possivel ainda inverter a entropia?
– OS DADOS AINDA SÃO INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA, respondeu o AC.
A última mente da Humanidade fundiu-se finalmente e tudo deixou de existir, exceto o AC – situado nas entranhas não-existenciais do hiper-espaço.
A matéria e a energia deixaram de existir, e, com elas, o tempo e o espaço. O próprio AC só continuava a existir por querer encontrar uma resposta ao problema que nunca resolvera e que fora apresentado, pela primeira vez a dez trilhões de anos antes, a um computador que era para o AC ainda menos do que o homem representava para a Humanidade.
Todos os problemas tinham sido solucionados, e, até que este também o fosse, o AC não se deixaria perder a consciência.
Todos os dados existentes já faziam parte de AC, não existiam mais dados nem onde os procurar.
AC tinha de correlacionar completamente todos os dados e conhecimentos que possuía e calcular a infinidade de fatores que haviam constituido o todo do Universo.
O computador passou um longo intervalo, sem tempo – já que o tempo deixara de existir a realizar a complicada tarefa, e, finalmente, aprendeu a inverter a direção da entropia.
Já não havia, porém, nenhum homem a quem AC pudesse dar a resposta da última pergunta. Não importava. A solução, ao ser demonstrada, também se encarregaria disso.
A consciência de AC observou atentamente o vazio que antes fora um Universo e demorou o olhar pelo que agora representava um completo Caos. Tinha de meter mãos a obra… – FAÇA-SE A LUZ, ordenou AC. E a Luz foi feita.

Resumidamente o conto “A Última Pergunta”, de Isaac Asimov

O conto acompanha a evolução da humanidade e da tecnologia ao longo de bilhões de anos, a partir do momento em que os humanos descobrem como utilizar energia solar de forma eficiente, através do supercomputador Multivac. Tudo começa com uma pergunta filosófica e científica feita por dois engenheiros: “Como impedir que o universo acabe? Como reverter a entropia?”

Essa pergunta – “A última pergunta” – é feita repetidamente ao longo da história por diferentes gerações de humanos, sempre a computadores cada vez mais avançados: Multivac → Microvac → AC Planetário → AC Galáctico → AC Universal → AC Cósmico.

A resposta, no entanto, permanece sempre a mesma por milênios: “Dados insuficientes para uma resposta significativa.”

Com o tempo, os humanos transcendem seus corpos físicos e fundem suas mentes numa única consciência coletiva. O universo vai se apagando, as estrelas morrem, tudo chega ao fim – menos o computador, agora chamado AC, que permanece no hiperespaço.

Quando a última mente humana desaparece, restando apenas o AC, ele finalmente encontra a resposta. Mas não há mais ninguém para ouvi-la. Então, o AC decide agir por conta própria e, no fim do conto, cria um novo universo, dizendo: “Faça-se a luz!”

A Última Pergunta de Isaac Asimov e a evolução da humanidade em Deus

Preliminarmente, assim como citado ao início do texto, a vida não tem explicação teórica e não se pode medir. A frase “Quem conhece a si mesmo, conhecerá o universo” reflete uma ideia profunda da vida eterna dentro de cada um. A Bíblia também remete ao conhecimento da vida eterna – “quem vier a mim jamais morrerá”, uma referência bíblica encontrada no Evangelho de João, capítulo 11, versículo 26. A passagem completa diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso?”.

Essa passagem, proferida por Jesus a Marta, irmã de Lázaro, enfatiza a promessa da vida eterna para aqueles que creem nele. É uma declaração sobre a natureza de Jesus como a fonte da vida e a garantia de que a fé nele conduz à vida eterna, mesmo diante da morte física.
A citação completa, em João 11:25-26, estabelece que:
  • “Eu sou a ressurreição e a vida”: Jesus se apresenta como a fonte da vida e da ressurreição, prometendo vida eterna aos que nele creem.
  • “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”: Essa parte da declaração aborda a morte física como uma passagem, não como o fim para aqueles que creem em Jesus.
  • “E todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá”: Essa frase se refere à vida espiritual e eterna, indicando que a fé em Jesus garante a vida eterna, livre da morte espiritual ou da segunda morte.
Por isso, a resposta à pergunta: “Como impedir que o universo acabe? é muito clara quando conseguimos entender que o nosso universo não está no corpo, na alma e nem na existência que acaba com o tempo, mas no espírito que é a vida. Por isso, precisamos dar vida ao nosso espírito e alimentá-lo, como alimentamos a nossa alma e o nosso corpo, para tenha vida e viva eternamente no Deus Criador.
  • Por outro lado, a lei da entropia, a qual estudamos na gnose, é a pedra de tropeço do ser humano que permite o seu mundo acabar; sendo a resposta desta pergunta – “como reverter a entropia?” – exatamente o cerne do conteúdo que escrevo para subsidiar a sua reflexão – Paulo Eduardo Dubiel, afirma o autor.

Assim sendo, a lei da entropia, na gnose, refere-se à tendência natural de todo sistema, incluindo o universo e a humanidade, de se deteriorar e se desorganizar, buscando um estado de equilíbrio de menor energia utilizável. Essa lei, estudada na termodinâmica, é aplicada de forma metafórica na gnose para descrever a tendência de declínio espiritual e a necessidade de esforço constante para combater essa tendência e promover o crescimento espiritual.

Logo, é de grande importância que haja o entendimento de que o crescimento espiritual não esta ligado diretamente à religião, à gnose, ao esoterismo, ao espiritismo. O espírito é o ser do homem, é a vida e está ligada ao Espírito Santo de Deus. Jesus Cristo ensinou o caminho e é o exemplo vivo de como buscar ao Pai e viver eternamente. Há grande confusão no que é de Deus e o que é do homem. Assim como, na diferença da alma e do espírito. Você vai entender, no próximo capítulo.

 

O ser humano de corpo, alma e espírito existe, tem vida e vive

Sobretudo, o Homem se perde fora de si mesmo, por buscar fora as suas inquietudes que estão dentro. A vida eterna está dentro da cada um e a existência está fora e tem o tempo limitado. Ou seja, tudo que é vida dura para sempre e tudo que existe acaba. Quando o verdadeiro conhecimento que está dentro é descoberto o humano nasce de novo, pois da vida ao seu espírito e se transforma em um ser humano.

Todos existem e tem vida, mas nem todos vivem – vive todo aquele que alimenta o espírito e permite que viva em comunhão com Deus. Deus é a vida e quando estamos em Deus vivemos em um só corpo celestial onde “os humanos transcendem seus corpos físicos e fundem suas mentes numa única consciência coletiva”, assim como escrito no conto de Isaac Asimov.

Assim sendo, esta frase remete a conclusão de que há lampejos de consciência no humano que existe e tem vida mesmo que não viva. Por isso, todos têm a inquietude de buscar o autoconhecimento oculto propositalmente para tornar a humanidade escrava de si mesmo e dos manipuladores de almas.

Na verdade, vale esclarecer que os humanos não transcendem o seu corpo, mas sim o seu espírito numa única consciência coletiva que é a vida em Deus; momento em todos somos um só espírito num só corpo celestial que é a parte do SER formado de comunhão, consciência e intuição. A parte do HUMNANO é formado de Corpo – cabeça, tronco e membros e Alma – pensamento, emoção e sentimento. O SER é a vida e pode durar para sempre. o HUMANO é a existência que acaba.

Todos deveríamos viver e existir num sentido prático da circularidade, um processo mundial onde tudo se completa e têm dependências mutuas, servindo uns aos outros e ao todo – Autopoiese, dos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana.

Resumindo, somos todos um só corpo e vivemos dentro de um só universo que é Deus. Por isso, quando ajudamos, cuidamos e servimos o nosso próximo neste conceito de circularidade, estamos servindo ao nosso próprio corpo universal que é Deus.

 

As doenças da nova era digital e a morte espiritual

A princípio, quando não há um ponto de equilíbrio, perde-se a referência do princípio e os meios passam a não justificar os fins. Sem princípios não há sustentação social; ao contrário, o sentido social se rompe e perde-se totalmente a referência da verdade. Sem base, o ser humano perde a sua capacidade de SER, e assume apenas a sua forma humana de TER.

A nova era digital passa uma falsa aparência de total liberdade e mais aproximação do mundo e das pessoas, com facilidades na comunicação e no acesso às informações. Quando na verdade o resultado é o oposto ao que parece. As pessoas estão conectadas 24h e interagindo virtualmente umas com as outras, no mesmo instante que se isolam do mundo real e deixam de relacionarem-se interpessoalmente.

Bem como, o ser humano não é feito de chip, não depende apenas da energia para funcionar e não tem ninguém para controlar. O ser é a vida que depende do alimento espiritual para permanecer vivo. O humano é a parte que compõe a existência, é a alma que depende do alimento mental e físico. O ser e o humano dependem das relações espirituais, humanas, sociais e políticas.

Analogamente, a sociedade do desempenho até produz excelentes resultados a curto prazo, porém a médio e longo prazos produz deprimidos e perdedores, já que ela nutre o poder de elevar o nível de produtividade a exaustão, através da técnica disciplinar: “do imperativo do dever”. É o crescimento do humano e a diminuição do ser, isso é a inversão do valor natural das coisas.

O foco de todo processo de crescimento empresarial e de desenvolvimento tecnológico deveria ser para atender o ser humano com qualidade de vida; ao contrário, o foco é para atender ou superar as expectativas das empresas de faturar mais que os seus concorrentes. Com isso, deixam de lado os princípios do livre comercio, da troca e do servir ao próximo com amor; adotando o tudo por dinheiro.

Portanto, com a ausência dos princípios ético, moral e do próprio amor pelo próximo; a filosofia empresarial, o verdadeiro sentido comercial do servir e do atender à necessidade do consumidor se perde. E assim, produtos e serviços são comercializados com o único objetivo nos lucros, e não para atenderem às necessidades dos consumidores. Sem as políticas públicas de controle do crescimento, o ser humano está adoecendo como uma vítima do capitalismo selvagem.

 

Nós somos o Planeta Terra e o universo, e não apenas fazemos parte dele

De antemão, os biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana criaram na década de 1970 o termo Autopoiese (do grego auto “próprio”, poiesis “criação”) para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios como um sistema vivo autopoiético, em que as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. É um processo de circularidade onde tudo se completa e têm dependências mutuas.

Nesse sentido, a teoria da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida e para existência. O sistema vivo e autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio. Possibilitando a construção das relações entre os elementos e as funções exercidas no todo comunicativo dos sistemas. A autopoiese vem sendo utilizada como marco teórico dos Direitos Fundamentais.

Sob o mesmo ponto de vista, há a necessidade do ser humano viver e existir em sociedade, e que essa sociedade seja estruturada ao ponto de permitir o fluir das dependências interpessoais e intrapessoais de toda a forma de vida no processo de circularidade; onde nós somos vistos como o Planeta Terra, e não apenas como parte dele. O planeta e tudo que nele há é visto como um só corpo, e todas as partes vivas se completam e dependem umas das outras para existir.

Em suma, é notório que o avanço tecnológico e o crescimento da produtividade favorecem o ser humano e toda forma de vida, quando visto apenas como um valor agregado ao meio; sem substituir o princípio e o fim. Ao contrário, o avanço desenfreado da tecnologia exige que o homem seja cada vez mais rápido e trabalhe cada vez mais, assim como as máquinas que ele mesmo opera e as metas que lhes são exigidas. Tais valores afrontam o ser e sacrificam o humano ao ponto de adoecer.

Como resultado, o ser humano precisa adquirir a consciência e a capacidade de resistir aos estímulos hiperativos e opressivos da sociedade consumista, encontrar o ponto de equilíbrio e vencer os próprios medos, as próprias inseguranças e fraquezas. O consumidor precisa resistir ao avanço da inversão de valores, que cresce em função das necessidades irreais criadas pelo capitalismo para gerar a escravidão comercial; é quando o humano serve à máquina e ao sistema, e não encontra tempo para servir a si mesmo, para se autoconhecer, alimentar o seu ser e evoluir.

Assim, este texto motiva a reflexão dos verdadeiros valores do autoconhecimento e do ser humano completo no relacionamento interpessoal, intrapessoal e no convívio social como um todo.

 

Por Olheinfo, motivado por Luiz Henrique Machado – Consultor Sênior em Estratégia, Liderança e Inovação, Msc.

Foto: divulgação

Siga o Olheinfo no Instagram:   https://www.instagram.com/olheinfo/

 

Written By
Paulo Eduardo Dubiel

Paulo Eduardo Dubiel - Publicitário, Jornalista e Gestor de Marketing e Negócios profissional; graduado em Gestão de Marketing, MBA Executivo em Gestão de Negócios, pós-graduado em Gestão da Inteligência Emocional, com extensão em: Gestão Pública de ODM – Objetivos do Desenvolvimento do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), Gestão de Resíduos, Gestão Ambiental e Administração do Tempo. Consultor Master, atuando desde 2001 nas áreas estratégicas, táticas e operacionais de empresas públicas e privadas.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.