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China ameaçou Taiwan e o clima EUA e Groenlândia fica tenso

China ameaçou Taiwan e o clima EUA e Groenlândia fica tenso
  • Publishedjaneiro 19, 2026

China ameaçou Taiwan e o clima EUA e Groenlândia fica tenso, os países europeus fazem reunião de emergência

Após China ameaçar Taiwan o alerta foi ligado e os EUA começou a pensar diferente, haja vista que os exercícios chineses de guerra não foram meros treinamentos — foram ensaios gerais completos para um bloqueio e uma invasão de Taiwan.

De fato, cartazes militares chineses intitulados “Martelo da Justiça, Bloqueio e Interrupção” oferecem algumas pistas sobre o que a China está praticando. Nesse sentido, essas provocações militares causam danos econômicos, visto que Pequim não fez os avisos obrigatórios, interrompendo as frotas pesqueiras e o transporte marítimo e aéreo comercial nas rotas comerciais mais movimentadas do mundo.

Não há justificativa para as provocações da China, o que torna o armamento de Taiwan uma tarefa urgente.

No dia 29 de dezembro, Washington, D.C., acordou com uma série de notícias, mas a que merece maior atenção é a dos exercícios militares surpresa da China nos arredores de Taiwan. Leia mais abaixo em – Por que os exercícios militares da China preocupam os EUA?

Países europeus fazem reunião de emergência após Trump ameaçar com tarifas por oposição à anexação da Groenlândia

Em Nuuk, na Groenlândia, pessoas participam de um protesto contra a exigência do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a ilha ártica seja cedida aos EUA, defendendo que ela tenha permissão para determinar seu próprio futuro.

Crédito, Reuters – Legenda da foto – Em Nuuk, na Groenlândia, pessoas participam de um protesto contra a exigência do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a ilha ártica seja cedida aos EUA

Por BBC News – Author, Ben Hatton, Bernd Debusmann Jr, Katie Williams e Meghan Owen

Embaixadores europeus realizarão uma reunião de emergência ainda neste domingo (18/1), após Donald Trump ameaçar impor tarifas a aliados que se opõem à proposta de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.

O presidente americano anunciou no sábado (17/1) que planeja aumentar os impostos de importação sobre produtos de Dinamarca, Noruega, SuéciaFrançaAlemanhaReino UnidoHolanda e Finlândia.

Uma tarifa de 10% seria aplicada a partir de 1º de fevereiro e poderia subir para 25% posteriormente, segundo Trump (entenda mais abaixo).

Atualmente, a Groenlândia é um território autônomo que faz parte do reino da Dinamarca.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que a ameaça de Trump é “completamente equivocada”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, a considerou “inaceitável”.

O presidente dos EUA insiste que os EUA precisam da Groenlândia para garantir a segurança interna. Ele não descartou a possibilidade de tomar o território à força.

Trump deve se encontrar com líderes europeus ainda nesta semana, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Nos últimos dias, foram registrados protestos contra os movimentos e as declarações de Trump tanto na Dinamarca quanto na Groenlândia.

O anúncio de Trump sobre novas tarifas contra europeus acontece dias depois de uma reunião na Casa Branca entre representantes da Dinamarca e dos Estados Unidos e do envio de tropas militares europeias para missões de reconhecimento na Groenlândia.

Reunião de emergência e protestos na Europa

Embaixadores da União Europeia (UE) devem realizar uma reunião de emergência nas próximas horas, após Donald Trump ameaçar impor tarifas a oito aliados — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia — que se opõem à sua proposta de anexação da Groenlândia.

Como mencionado anteriormente, uma taxa de 10% entrará em vigor a partir de 1º de fevereiro. Elas poderão subir para 25% em 1º de junho.

Trump afirma que as tarifas de importação permanecerão em vigor até que “um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia” pelos EUA.

A reunião de embaixadores da UE começará às 16h no horário de Londres (13h de Brasília), segundo a Reuters.

Manifestações que reuniram milhares de pessoas contra os planos de anexação de Trump foram realizadas em Copenhague e em outras cidades dinamarquesas, bem como em Nuuk, a capital da Groenlândia, no sábado (17/1).

‘Trump está transformando amigos em inimigos’: a reação dos líderes europeus

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o futuro da Groenlândia “é uma questão entre os groenlandeses e os dinamarqueses” e que “impor tarifas a aliados por defenderem a segurança coletiva dos membros da Otan é completamente errado”.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é uma aliança político-militar em voga há mais de sete décadas entre países da América do Norte e da Europa.

Starmer acrescentou que o Reino Unido “tratará essa questão diretamente com o governo dos EUA”.

Para o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen. a declaração do presidente dos EUA “é uma surpresa” após uma “reunião construtiva” realizada na semana passada.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que “nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará”.

Ele também descreveu a imposição de tarifas como “inaceitável”.

O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, afirmou que os líderes europeus “não permitirão chantagens” e descreveu a ameaça de Trump como uma “questão da UE”.

O ministro das Relações Exteriores holandês, David van Weel, divulgou que seu país “tomou nota” das novas tarifas e considerará uma resposta unificada.

O presidente finlandês, Alexander Stubb, afirmou: “Entre aliados, as questões são melhor resolvidas por meio do diálogo, não pela pressão”.

Já o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, ponderou que “ameaças não têm lugar entre aliados”.

O vice-presidente do Parlamento dinamarquês, Lars-Christian Brask, disse à BBC que a ameaça de Trump de impor tarifas a vários países europeus está “transformando amigos em inimigos”

Segundo ele, Trump “não está agindo no melhor interesse de seu próprio país”.

Brask acrescentou que a relação entre os EUA e a UE está “cada vez mais tensa” e que os planos mais recentes do presidente americano “parecem chantagem econômica”.

“E ninguém quer isso”, concluiu ele.

Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer

Crédito,Reuters – Legenda da foto – Keir Starmer disse que impor tarifas sobre europeus é ‘completamente errado’

Análise: ameaças de Trump aos aliados em relação à Groenlândia não têm paralelo

Para Faisal Islam, editor de Economia da BBC, a ameaça aparentemente coercitiva de Trump, de forçar os aliados ocidentais a não se oporem à proposta de anexação da Groenlândia, sob pena de sofrerem maiores prejuízos comerciais com os EUA, não tem paralelo nem precedentes.

“Tivemos algumas ameaças econômicas incomuns e inesperadas do presidente Trump ao longo do último ano, mas creio que podemos afirmar com segurança que esta supera todas elas e nos leva a um território surreal e extremamente perigoso”, escreve ele.

Islam explica que, se levada ao pé da letra, as novas tarifas são uma forma de guerra econômica travada pela Casa Branca contra seus aliados mais próximos.

Isso porque elas atingem aliados com um aviso incrivelmente curto e por uma causa que, essencialmente, poderia desmantelar a Otan e a aliança ocidental.

“Isso deixará as autoridades desses países absolutamente perplexas. Aliás, é tão absurdo que elas podem estar mais perplexas do que irritadas.”

“Será que Trump realmente tem o apoio necessário nos EUA, no Congresso, e até mesmo em sua própria administração, para fazer isso? Será este, como alguns especialistas em comércio presumem, o maior covarde de todos os tempos? Se, no entanto, levarmos a sério as últimas ameaças de Trump, elas são extremamente preocupantes”, avalia Islam.

Trump

Crédito, Getty Images

Trump participará de encontro com líderes europeus esta semana

Trump participará do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ainda esta semana, assim como os líderes de França, Alemanha, Holanda e Finlândia.

Eles se juntarão a outros membros da Otan, como Canadá, Espanha e Bélgica.

O encontro acontecerá logo depois de Trump ameaçar alguns países europeus com tarifas sobre a Groenlândia.

O fórum em Davos é um evento anual onde políticos de alto escalão se encontram com chefes de diversos setores da indústria para discutir “questões globais”.

Trump fará um discurso na quarta-feira (21/1) durante o evento, cujo tema principal deste ano é: “Como podemos cooperar em um mundo mais disputado?”.

Palco do Fórum Econômico Mundial em Davos

Crédito, EPA – Legenda da foto – Trump deve se encontrar com líderes europeus nesta semana durante o Fórum Econômico Mundial em Davos

O que é o ‘Domo Dourado’ de Trump?

O presidente Trump e outros membros do governo afirmaram que uma Groenlândia administrada pelos EUA é vital para o sucesso do “Domo Dourado” — um escudo antimíssil de última geração projetado para defender o país de adversários cada vez mais poderosos.

A ideia foi anunciada inicialmente por meio de uma ordem executiva no ano passado, que previa um “Domo de Ferro para a América” ​​diante de ameaças potencialmente “catastróficas” que se tornaram “mais intensas e complexas” ao longo do tempo.

Em um discurso ao lado de Trump no Salão Oval, em 20/5, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que o sistema terá múltiplas camadas “em terra, mar e espaço, incluindo sensores e interceptores espaciais”.

Trump acrescentou que o sistema será capaz de interceptar mísseis “mesmo que sejam lançados de outras partes do mundo, e mesmo que sejam lançados do espaço”, com vários componentes do programa baseados em locais tão distantes quanto Flórida, Indiana e Alasca.

Embora o governo não tenha fornecido detalhes específicos sobre o papel que a Groenlândia desempenharia no sistema, presume-se que ela poderia servir como parte de um sistema de alerta antecipado.

A Base Espacial Pituffik, administrada pelos EUA na Groenlândia, já abriga sensores originalmente instalados para detectar mísseis balísticos que os americanos temiam que pudessem sobrevoar o Ártico caso a Guerra Fria com a União Soviética se tornasse um conflito armado.

Especialistas alertaram que os sistemas de defesa existentes seriam lamentavelmente inadequados caso os EUA fossem atacados pela China e pela Rússia, ambas com arsenais de centenas de mísseis.

O novo sistema, no entanto, será extremamente caro.

O Escritório de Orçamento do Congresso estimou seu custo potencial em US$ 542 bilhões (R$ 2,0 trilhões) ao longo de 20 anos, e isso leva em conta apenas a parte espacial do projeto.

Trump no Salão Oval da Casa Branca durante anúncio do 'Domo Dourado'

Crédito, Reuters – Legenda da foto – Trump anunciou a criação de um ‘Domo Dourado’ em 2025

O que torna a Groenlândia economicamente atrativa?

A pesca é a espinha dorsal da economia da Groenlândia, e os frutos do mar representam mais de 90% do total de suas exportações. O país também recebe grandes subsídios do governo dinamarquês.

Mas o que torna esse território tão atraente, do ponto de vista econômico?

Nos últimos anos, há um interesse crescente nos recursos naturais da Groenlândia, o que inclui minerais de terras raras, urânio e ferro.

O país também pode ter reservas significativas de petróleo e gás.

Esses recursos permaneceram inacessíveis por causa do rigoroso clima ártico, mas o derretimento do gelo abriu novas rotas de navegação, o que pode facilitar a mineração e a pesca.

Recursos minerais valiosos têm sido um foco importante de Trump em outras ocasiões, inclusive em suas interações com a Ucrânia.

No entanto, o presidente dos EUA reiterou o desejo de adquirir a Groenlândia para a segurança nacional americana.

Mais de uma vez, ele descreveu a ameaça que percebe por parte de potências rivais. Segundo Trump, se os EUA “não tomarem a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão”.

Homem e mulher seguram um cartaz com os dizeres: 'A Groenlândia é para os groenlandeses' durante protesto em Nuuk

Crédito, Reuters – Legenda da foto,Homem e mulher seguram um cartaz com os dizeres: ‘A Groenlândia é para os groenlandeses’ durante protesto em Nuuk

‘Precisamos de amigos, de aliados’

Uma delegação do Congresso dos EUA visitou a Groenlândia na sexta-feira (16/1), dias depois de conversas em Washington entre representantes da ilha e da Dinamarca e membros do governo Trump não terem conseguido dissuadir o presidente de seus planos.

A delegação incluía senadores e membros da Câmara dos Representantes dos EUA, todos defensores da Otan.

Embora Coons e a maioria do grupo sejam democratas e opositores declarados de Trump, a delegação também incluía os senadores republicanos moderados Thom Tillis e Lisa Murkowski.

A deputada groenlandesa Aaja Chemnitz disse que o encontro com os parlamentares americanos lhe deu esperança.

Ela declarou à BBC: “Precisamos de amigos. Precisamos de aliados.”

Questionada sobre a grande diferença entre a visão da Casa Branca e a posição da Groenlândia e da Dinamarca, ela respondeu: “É uma maratona, não uma corrida de curta distância.”

“A pressão do lado americano é algo que vemos desde 2019. Seria ingenuidade pensar que tudo acabou”, disse Chemnitz.

“A situação está mudando quase a cada hora. Portanto, quanto mais apoio conseguirmos, melhor”, acrescentou ela.

Murkowski é uma das patrocinadoras de um projeto de lei bipartidário que visa bloquear qualquer tentativa de anexação da Groenlândia.

Um congressista republicano também apresentou um projeto de lei concorrente que apoia a anexação da ilha.

Protesto em Copenhague. Foto mostra uma praça lotada de pessoas.

Crédito, EPA – Legenda da foto,Protestos contra a anexação da Groenlândia aconteceram em Copenhague e em outras cidades da Dinamarca nos últimos dias

‘O presidente está falando sério’

O enviado de Trump à Groenlândia, Jeff Landry, disse à Fox News na sexta-feira (16/1) que os Estados Unidos deveriam conversar com os líderes da Groenlândia, e não com os da Dinamarca.

“Acredito firmemente que um acordo será alcançado assim que essa situação for resolvida”, afirmou.

“O presidente está falando sério. Acredito que ele preparou o terreno”, disse Landry.

“Ele disse à Dinamarca o que quer, e agora cabe ao Secretário de Estado Marco Rubio e ao Vice-Presidente J.D. Vance chegarem a um acordo.”

“Os Estados Unidos sempre foram receptivos. Não entramos lá tentando conquistar ninguém ou tomar o controle de nenhum país.”

“Dizemos: ‘Escutem. Defendemos a liberdade. Defendemos a força econômica. Defendemos a proteção'”, disse Landry.

Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram com Vance e Rubio na Casa Branca na quarta-feira (14/1).

Segundo um funcionário dinamarquês que falou à BBC sob condição de anonimato sobre a reunião, o vice-presidente dos EUA propôs encontrar um meio-termo que satisfizesse Trump, a Dinamarca e a Groenlândia.

O funcionário afirmou que a possibilidade de uma anexação da Groenlândia pelos EUA não foi levantada na reunião na Casa Branca.

“Nunca tivemos discussões com nenhum alto funcionário ou ministro sobre a possibilidade de os Estados Unidos enviarem tropas para a Groenlândia”, disse o funcionário.

Mesmo assim, ele afirmou que a Dinamarca leva a sério o objetivo declarado de Trump de anexar a Groenlândia.

  • “Nossa premissa é que, neste assunto, o que ele diz é o que ele pensa”, concluiu o funcionário.

Outras ações entre EUA e Groenlândia

Por que os exercícios militares da China preocupam os EUA?

Por Gazeta do Povo – Brent Sadler / The Daily Signal – 01/01/2026 às 08:00


Exercícios chineses perto de Taiwan soam como ensaio de guerra; EUA seguem despreparados, enquanto Pequim testa limites e eleva o risco. (Foto: Wang Yu Ching/EFE/Gabinete da Presidência de Taiwan)

No dia 29 de dezembro, Washington, D.C., acordou com uma série de notícias, mas a que merece maior atenção é a dos exercícios militares surpresa da China nos arredores de Taiwan.

Esses exercícios não são meros treinamentos — são ensaios gerais completos para um bloqueio e uma invasão de Taiwan.

Impedir uma invasão desse tipo e um conflito de maior escala é de vital interesse nacional para os Estados Unidos, mas estamos lamentavelmente despreparados para isso. A dimensão, a intenção, o gatilho e até mesmo a duração do que os comunistas chineses chamam de Missão Justiça 2025 ainda estão se revelando. O que está claro é que se trata de uma operação aérea e marítima massiva que cercará Taiwan com uma série de exercícios com munição real.

No primeiro dia, Pequim enviou 130 aeronaves de combate e navios de guerra ao redor da ilha; no segundo dia, foram lançados 27 mísseis balísticos próximos aos principais portos de Taiwan, no norte e no sul.

De fato, cartazes militares chineses intitulados “Martelo da Justiça, Bloqueio e Interrupção” oferecem algumas pistas sobre o que a China está praticando. Nesse sentido, essas provocações militares causam danos econômicos, visto que Pequim não fez os avisos obrigatórios, interrompendo as frotas pesqueiras e o transporte marítimo e aéreo comercial nas rotas comerciais mais movimentadas do mundo.

Não há justificativa para as provocações da China, o que torna o armamento de Taiwan uma tarefa urgente.

Nos últimos dias do primeiro mandato do presidente Donald Trump, um documento fundamental da era Reagan foi desclassificado, detalhando as chamadas seis garantias a Taiwan. O fornecimento de equipamentos militares adequados é fundamental para manter o equilíbrio militar e promover a resolução pacífica da disputa no Estreito de Taiwan.

Pequim, no entanto, vem se engajando em um fortalecimento militar de décadas, perturbando consideravelmente esse equilíbrio e tornando necessárias vendas militares de maior porte para a ilha, como o acordo de armas de US$ 11,1 bilhões recentemente firmado entre Taipei e Washington, D.C.

O valor do acordo é superior a todas as vendas realizadas durante os quatro anos da administração Biden anterior. Tal acordo inclui, crucialmente, 82 lançadores HIMARS e 420 mísseis antitanque de longo alcance (186 milhas) associados — um alcance que permite a Taipei atingir nós logísticos chineses do outro lado do estreito.

Se essa venda de armas foi o gatilho para a Missão Justiça 2025, demorou mais do que o esperado, visto que Pequim respondeu a ciclos recentes de provocação em até quatro dias após uma ofensa.

As provocações de Pequim também prejudicam a abertura diplomática oferecida pela líder do partido de oposição de Taiwan (o Kuomintang), que busca uma viagem de boa vontade a Pequim — um esforço destinado a fortalecer a imagem de seu partido como o mais responsável pela estabilização das relações entre os dois lados do Estreito.

Isso agora parece improvável, especialmente com a orientação do secretário-geral Xi Jinping para que suas forças armadas estejam prontas para lutar em uma guerra pelo destino de Taiwan até 2027. Então, o que se sabe até agora sobre a Missão Justiça 2025?

Para começar, esta é a sexta grande demonstração militar com o objetivo de cercar Taiwan desde agosto de 2022.

A Missão Justiça 2025 envolve todos os ramos militares chineses do Teatro Oriental responsáveis por conduzir qualquer guerra contra Taiwan — incluindo mísseis, marinha, força aérea e guarda costeira. Se o passado serve de exemplo, as operações militares chinesas durarão vários dias antes de retornarem aos níveis normais de atividade militar.

Durante esse período, espera-se que novos sistemas de armas sejam demonstrados em exercícios com munição real, como o míssil balístico antinavio YJ-20, disparado de um destróier chinês em 28 de dezembro, com alcance superior a 1.600 quilômetros.

As forças militares chinesas também podem tentar abordar e inspecionar embarcações que transitam pelo Estreito de Taiwan — uma ameaça feita pela primeira vez em abril de 2023 e que, desde então, tem sido colocada em prática contra a navegação taiwanesa ao redor da ilha de Kinmen. Outro incidente preocupante, refutado por Taiwan, é um vídeo feito por drone durante a Missão Justiça 2025 no centro de Taipei, divulgado pela mídia estatal chinesa.

Se confirmado, é muito provável que esse drone tenha violado o espaço aéreo territorial — uma linha vermelha que não era cruzada há mais de 67 anos.

Isso sinalizaria que Pequim está muito mais disposta a correr riscos e mais próxima de derramar sangue do que em qualquer outro momento desde a segunda crise de Taiwan, em 1958. Mais de 1.000 pessoas morreram, vários navios foram afundados por ambos os lados e 31 jatos comunistas chineses foram abatidos.

  • “Caso os atuais “exercícios” militares chineses se transformem em hostilidades abertas, não está claro como uma guerra em larga escala poderia ser evitada”

Diferentemente da terceira crise de Taiwan, em 1996, o equilíbrio militar está mais favorável a Pequim do que nunca. Os Estados Unidos enviaram dois grupos de ataque de porta-aviões em direção a Taiwan, enquanto Pequim demonstrava sua força naval e de mísseis em uma tentativa frustrada de impedir a eleição do presidente taiwanês Lee Teng-hui, que Pequim considerava pró-independência de Taiwan.

Atualmente, a Marinha dos EUA possui dois grupos de ataque de porta-aviões e um grupo anfíbio de prontidão nas proximidades, além de um número significativo de aeronaves baseadas em terra estacionadas no Japão e na Coreia.

Embora impressionante, a China desenvolveu a capacidade de atingir forças americanas a menos de 1.600 quilômetros do território continental dos EUA com um fogo intenso de mísseis lançados de terra, do mar e do ar.

Pequim possui uma frota de 400 navios de guerra modernos, contra 290 dos Estados Unidos, além de uma força de mísseis que chega a milhares.

Caso ocorra uma guerra entre a China e uma coalizão liderada pelos EUA para impedir que a China tome posse de Taiwan, sua intensidade será muito maior do que qualquer outra vista na Ucrânia ou no Oriente Médio nos últimos anos. Embora uma guerra desse tipo fosse desastrosa para todos, Pequim vem se preparando para ela há décadas, enquanto os Estados Unidos e seus aliados só agora estão chegando a um acordo.

Para dissuadir uma guerra hoje em dia, é preciso capacidade e ações inesperadas para frustrar os planos de Pequim.

Nunca é tarde demais para reforçar as defesas dos EUA e de seus aliados a fim de dissuadir e, se necessário, prevalecer no que seria uma guerra longa e muito incerta. Uma guerra dessa magnitude determinaria não apenas o destino de Taiwan, mas também o dos Estados Unidos.

Por essa razão, são urgentemente necessários, nos próximos meses, maiores esforços para reconstruir nossa indústria de defesa, construir navios de guerra, aumentar os estoques de munições essenciais e integrar ainda mais o planejamento de guerra com aliados importantes, de maneira mensurável.

A Missão Justiça 2025 serve como um lembrete de que a China está se preparando para a guerra, enquanto os inimigos dos Estados Unidos minam os interesses nacionais vitais dos EUA e desmantelam todo o sistema internacional que beneficiou o povo americano por mais de oito décadas. Clichês não deterão ditadores agressivos. O que importa são as ações. A questão para 2026 é: os Estados Unidos conseguirão evitar que as tensões na Ásia se agravem?

©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Why the US Is Worried About China’s Military Drills  

 

Por Olheinfo, com BBC News e Gazeta do povo

Foto: divulgação Crédito, Getty Images – presidente dos EUA

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Redação Olheinfo

Veículo de comunicação web periódico criado em 2007 no Distrito Federal, editado pelo Jornalista Responsável DF04203JP, Publicitário 458-MTP e Consultor Master em Gestão Empresarial Paulo Eduardo Dubiel, Esp.

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