Fatos do Momento

Brasil – Celeiro do mundo ‘assusta’ a Europa

Brasil – Celeiro do mundo ‘assusta’ a Europa
  • Publishedjaneiro 27, 2026

Brasil – Celeiro do mundo ‘assusta’ a Europa, alerta empresário e colunista Gustavo Junqueira que debate o acordo comercial UE-Mercosul

Plantação de soja: força do agro brasileiro na mira dos produtores europeus

Por Pedro Gil

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia voltou ao centro do radar, mas não exatamente como o mercado gostaria. A Europa avança em negociações com a Índia reforçando a sensação – nada confortável – de que o Mercosul segue esperando na antessala, ou a decisão do Tribunal de Justiça do bloco europeu.

Para Gustavo Junqueira, colunista de VEJA, o erro está em tratar acordos (UE-Mercosul) dessa magnitude como um vento político pontual. “Assina, anuncia, comemora… e acha que acabou”, diz ele. Na prática, explica, são processos permanentes de governança. O conflito europeu é estrutural: o agro pesa pouco no PIB, mas muito na política, enquanto o continente precisa crescer, se abrir e, ao mesmo tempo, administrar sua proteção doméstica.

Do lado do Brasil, Junqueira diz que é preciso refazer o discurso: “É preciso sair da narrativa de sermos celeiro do mundo, isso assusta a Europa. Nós precisamos ser o maior provedor de segurança alimentar, de segurança energética renovável, de biocombustíveis.” Ou seja, o Mercosul precisa ser um parceiro europeu. Junqueira defende ainda que o tempo de espera pela decisão da justiça europeia deve ser usado pelo Brasil para focar em rastreabilidade, dados auditáveis e transparência sobre desmatamento e clima para transformar o medo dos agricultores europeus em confiança.

 

Safra injeta R$ 1,42 trilhão no campo, alta real de 51% em dez anos

·         Valor da produção da lavoura é de R$ 930 bi em 2025; o da pecuária, de R$ 489 bi

·         Receitas de café e de cacau disparam devido aos recentes aumentos de preços

Por Mauro Zafalon

Nunca entrou tanto dinheiro no campo como em 2025. Foi R$ 1,42 trilhão, uma evolução real de 51% nos últimos dez anos. O setor agrícola ficou com R$ 930 bilhões, e o pecuário, com R$ 489 bilhões. Na soma dos últimos cinco anos, foram R$ 6,4 trilhões.

Os dados são do VBP (Valor Bruto de Produção) do Ministério da Agricultura. Os números não englobam toda a atividade agropecuária, mas 17 setores das lavouras e 5 da pecuária. Os cálculos da pasta indicam o montante financeiro com base no volume produzido e nos preços praticados dentro da porteira. As informações não levam em consideração custos de produção, apenas estimativas de receitas com as vendas.

Os números mostram que os produtos básicos perdem participação, enquanto os exportáveis ganham. Os valores de produção de feijão, batata e banana recuaram, em termos reais. Já os de soja e de milho vêm com aumentos constantes. Arroz e trigo têm evolução real de apenas 15% nos últimos dez anos. O país diversifica e aumenta a oferta de produtos antes pouco desenvolvidos, como gergelim, cevada, centeio e amendoim. Este último acumula evolução real de 176% na última década.

O aumento acelerado do volume financeiro no campo ocorreu devido a eventos climáticos, guerras, demanda externa maior e redução de estoques mundiais. Os preços externos dispararam, e o Brasil conseguiu manter bom ritmo de produção e de fornecimento mundial nos anos recentes.

A pecuária também deu boa contribuição para o aumento das receitas no campo. Há dez anos, a produção das carnes de frango, bovina e suína somava 26,4 milhões de toneladas. No ano passado, atingiu 32,5 milhões, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A safra de grãos passou de 200 milhões de toneladas para 352 milhões no mesmo período. Assim como nos grãos, a produção na pecuária evoluiu graças ao aumento da demanda externa. O VBP real da pecuária subiu 56% em dez anos, e o das lavouras, 48%.

A soja é a grande fonte de receita. No ano passado, foram R$ 329 bilhões, 58% a mais do que há dez anos. O forte crescimento das exportações brasileiras levou a safra nacional para 172 milhões de toneladas, 79% a mais do que há uma década. O milho tem o segundo maior valor entre as lavouras, atingindo R$ 166 bilhões, uma alta real de 55% no período.

Enquanto algumas das grandes produções, como a de cana-de-açúcar e de laranja, têm receitas estáveis, culturas com volume menores de produção, como amendoim, uva, cacau e café, estão entre as mais valorizadas. Cacau e café mostraram evoluções de 238% e de 158%, respectivamente, na comparação do valor de produção de 2025 com o de há dez anos. Considerando a média dos últimos cinco anos, em relação aos cinco imediatamente anteriores, o cacau tem ganho real de 102%, e o café, de 75%.

No setor cafeeiro, o principal aumento é o do café conilon. A alta foi de 423% no valor de produção em uma década. O Brasil aumentou a área de cultivo e elevou a produção de 10 milhões de sacas, há dez anos, para 21 milhões no ano passado, segundo a Conab.

No setor de carnes, a bovina lidera, com valor de produção de R$ 211 bilhões, mas a suína é a que mais cresceu na década, com desempenho real de 142% no período. O setor de leite aumenta 48%, e o de frango, 34%. O valor de produção do setor de frango, no entanto, ao atingir R$ 112 bilhões, supera em 53% o do leite (Folha, 27/1/26)

 

Por Olheinfo, com Brasilagro e Veja – RADAR ECONÔMICO  

Foto: divulgação BANDEIRA DO BRASIL CAMPO – Foto Blog Fornari Indústria

Siga Olheinfo – Instagram Infoco

 

 

Written By
Redação Olheinfo

Veículo de comunicação web periódico criado em 2007 no Distrito Federal, editado pelo Jornalista Responsável DF04203JP, Publicitário 458-MTP e Consultor Master em Gestão Empresarial Paulo Eduardo Dubiel, Esp.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.