Jogo e casino não é solução turística

15/11/2016

A liberação do jogo em cassinos nos pontos turísticos e resorts, não é solução como muitos interessados afirmam

 turismo brasil
Foto divulgação

Mesmo sendo rentável fonte de divisa do país, o turismo também sofre pelo abandono e o péssimo serviço público prestado. Não há iniciativas e ações efetivas geradoras de recursos no segmento. O Brasil continua “patinando” em um dos seus segmentos mais rentáveis. O final da Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Paralímpicos deixou o registro de insustentabilidade das ações – nada foi feito para reter o público circulante. Tirando a divulgação espontânea e positiva, por ocasião desses eventos mundiais, nada mais é fomentado nos noticiários; ao contrário, percebe-se a propagação negativa, que afasta viajantes nacionais e internacionais do Rio de Janeiro – o maior ponto de atração do País.

 

O Ministério do Turismo sempre está na posição de discutir novas medidas para incentivar o turismo nacional e internacional, quando na verdade deveria ter planos traçados e em execução a curto, médio e longo prazo. Atualmente, as medidas discutidas, para continuar trazendo viajantes, é concluir metas até janeiro do ano que vem. Entre as metas estão adoção do tax free – reembolso de impostos pagos durante a estadia, algo praticado há décadas em países da Europa; a liberação de cassinos integrados a resorts; a abertura do mercado para companhias aéreas estrangeiras no Brasil; e a concessão de parques nacionais à iniciativa privada.

 

Também o governo pretende enviar ainda neste ano ao Congresso uma medida provisória que dispensa a exigência de visto de turismo para estrangeiros de países como Austrália, Canadá, China, Estados Unidos e Japão.

 

Nota-se claramente que as soluções encontradas estão “na contramão” da realidade; a base é abrir mão, dispensar exigências e legalizar coisas fora da lei. Isso, absurdamente, pela incompetência de gerir o que realmente daria lucro e traria rentabilidade diversificada para setores da sociedade.    

 

A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos foi o ápice do turismo brasileiro. Depois do maior investimento dos últimos anos no segmento, o Ministério do Turismo tenta dar sequência ao fluxo de turista internacional. De certo que, tal ação deveria ter sido contemplada no próprio planejamento estratégico, como a montagem de banco de dados para sustentar a política de retenção etc.

 

Apesar do negativismo que permeou os dois eventos, os elogios dos visitantes marcou a relação – as pesquisas mostraram que 90% dos turistas estrangeiros que visitaram o Brasil afirmaram querer voltar. Porém, nada disso gerou continuidade por livre e espontânea vontade do turista.  

 

Sempre há muitas ideias para promover o turismo no Brasil e a atração de investimento no setor. Brasil recebeu 6,3 milhões de turistas estrangeiros no ano passado, segundo a Organização Mundial do Turismo – OMT. O número, no entanto, ainda é muito pequeno se comparado a França, com 84,5 milhões; os Estados Unidos, com 77,5 milhões; a Espanha, com 68,2 milhões.

 

Mesmo entre os emergentes, o Brasil ainda não é um destino turístico popular. No ano passado, a China recebeu 56,9 milhões de visitantes, enquanto 32,1 milhões foram ao México. Entre as medidas mais rápidas para atrair visitantes está uma Medida Provisória para a liberação da exigência de vistos de turismo para estrangeiros.

Segmentar o produto turístico e investir recursos e serviços de forma inteligente é a grande solução, para geração e distribuição de renda. Há entendimentos que a solução é a liberação de jogos e casinos para fomentar o turismo. O jogo é proibido no Brasil desde 1946, no governo de Eurico Gaspar Dutra. A liberação do jogo em cassinos nos pontos turísticos e resorts, não é solução como muitos interessados afirmam; grande parte dos turistas estrangeiros buscam no Brasil as belezas naturais e o aconchego do excelente tratamento.

 

A movimentação e o encantamento do turista estrangeiro no Brasil é bem diferente da procura por jogo em cassino. Diga-se que o público desse segmento está na imbatível Las Vegas – cidade mais populosa e mais densamente povoada do estado americano de Nevada. Sem falar que tal segmento movimentaria recursos isolados e traria uma série de problemas sociais ao Brasil.   

 

O jogo é uma prática que acontece na grande maioria dos países que integram a Organização Mundial do Turismo (OMT), mais de 80% têm os jogos liberados com relação a cassinos. Porém, mesmo sendo rentável, também gera patologias sociais irreversíveis à sociedade com um todo. Com isso, se pode ser evitado; o melhor é que haja investimento em outros setores que também gera forte retorno.    

 

Legalizar jogos de azar, como cassinos, bingo, jogo do bicho e apostas eletrônicas; justificando ser um incentivo à retomada do crescimento econômico do País – PLS 186/2014 –, é fato que distorce a realidade social. Assim como, usar isso como solução para gerar empregos, trazer divisas e atrair turistas estrangeiros.

 

O potencial turístico no Brasil está acima de jogos de azar e casinos em resorts. O País tem as mais belas riquezas naturais do mundo, basta preservar. Sem falar no potencial turístico voltado para esportes radicais, ecológico etc.; ambos produtos proporcionam a integração cultural do turista com a população local e a distribuição de renda para sociedades e cidades mais carentes. O turismo no Brasil precisa parar de dar voltas em torno dos mesmos problemas – a falta de dar sequência ao planejamento estratégico e tático, com foco na recepção e retenção de turistas pelos nativos das regiões.

 

Por Paulo Eduardo Dubiel
Executivo em Gestão de Marketing & Negócios, Esp.